Sequestro termina com padre assassinado. Hollande confirma terrorismo

Entre quatro a seis pessoas estariam dentro da igreja em Saint-Etienne-du-Rouvray, na Normandia. Agressores foram abatidos

Terminou com a morte de um dos cinco reféns o sequestro na igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, comuna da região do Sena Marítimo, na Normandia, em França. Os sequestradores, dois homens armados com facas, foram abatidos pela polícia, confirmou o porta-voz do Ministério do Interior. Segundo informações recolhidas pelo Le Figaro, junto de fontes próximas da investigação, a vítima mortal - um padre - foi decapitada. François Hollande, o presidente francês, confirmou que se tratou de um atentado terrorista e que os dois agressores disseram agir em nome do Estado Islâmico.

Em comunicado, o arcebispado de Rouen, capital da Normandia, confirma a morte do padre Jacques Hamel, de 84 anos, e ferimentos em três paroquianos. Um dos feridos, segundo o porta-voz do Ministério do Interior, está em estado crítico. O padre Hamel estava na paróquia de Saint-Etienne-du-Rouvray há mais de 20 anos, indica o Figaro.

Equipas da brigada de minas e armadilhas estão, nesta altura, a passar em revista a igreja onde ocorreu o sequestro, para assegurar que não foram deixados no exterior ou dentro do edifício quaisquer engenhos explosivos, revelou Pierre-Henry Brandet, o porta-voz do Ministério do Interior.

O arcebispo de Rouen anunciou que irá deixar as Jornadas Mundiais da Juventude, encontro de jovens católicos que decorre em Cracóvia, na Polónia, para regressar a França. "Estarei a partir desta noite na minha diocese, junto das famílias e da comunidade paroquial em choque", revelou o monsenhor Dominique Lebrun. As Jornadas decorrem a partir desta terça-feira e terminam no próximo domingo, 31 de julho. O Papa Francisco é esperado amanhã, quarta-feira, em Cracóvia.

Dois atacantes fizeram cinco reféns

O Figaro refere que estariam, ao todo, cinco pessoas na igreja com os sequestradores: um padre, duas freiras e dois fiéis que tinham ido à missa da manhã na vila de Saint-Etienne-du-Rouvray. Uma outra religiosa terá conseguido sair para dar o alerta, refere o jornal. Esta última informação não foi confirmada pelas autoridades.

O sequestro terá durado cerca de 40 minutos, terminando pelas 10:45 - menos uma hora em Portugal - quando os dois assaltantes saíram para o adro da igreja e foram abatidos.

Os dois homens armados terão entrado no local pelas traseiras, aprisionando quem ali se encontrava durante a missa. As motivações dos agressores e as suas identidades não são conhecidas, tal como a razão pela qual decidiram vir para o exterior do edifício onde estavam barricados, levando à intervenção policial.

François Hollande, o presidente francês, que é natural de Rouen, já chegou à vila na Normandia onde ocorreu o sequestro, para fazer um ponto de situação junto das autoridades. Também o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, já está no local.

Vaticano condena "matança" na Normandia

O Vaticano já condenou a "matança bárbara" na Normandia, enquanto vários políticos franceses lamentaram o sequestro nas redes sociais. "Somos particularmente atingidos porque esta violência horrível aconteceu numa igreja, lugar sagrado onde se anuncia o amor de Deus, com a matança bárbara de um padre e fiéis feridos", referiu o Vaticano em comunicado.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, reagiu no Twitter, manifestando o "horror face ao ataque. A França inteira e todos os católicos estão chocados. Unir-nos-emos", escreveu Valls.

Outra reação veio de Marine Le Pen, a presidente da Frente Nacional, partido de extrema-direita mais votado em França. "O terror mais uma vez em Saint-Etienne-du-Rouvray. O modus operandi faz evidentemente acreditar num novo atentado de terroristas islâmicos".

Jean-Marc Ayrault, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, assinalou o "medonho ataque contra um padre e fiéis católicos. Solidariedade total. Fiquemos unidos face ao horror".

O sequestro em Saint-Etienne-du-Rouvray acontece cerca de duas semanas após o atentado de Nice, a 14 de julho - Dia da Bastilha em França - e que foi reivindicado pelo Estado Islâmico. Um homem ao volante de um camião acelerou sobre a multidão que assistia ao fogo-de-artifício e fez 84 mortos e mais de 350 feridos.

Notícia em atualização

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