Detidos dois colaboradores do advogado de Trump

Dois colaboradores do advogado pessoal do presidente dos EUA foram detidos. Estão a ser acusados de violarem as regras de financiamento da campanha eleitoral. Lev Parnas e Igor Fruman terão ajudado Rudy Giuliani a pressionar a Ucrânia para investigar Joe Biden

Lev Parnas e Igor Fruman, dois colaboradores de Rudy Giuliani, advogado pessoal do presidente dos EUA, Donald Trump, foram detidos na quarta-feira, noticia a CNN. Estão a ser acusados de violarem as regras de financiamento da campanha eleitoral. Os dois detidos terão ajudado Giuliani a pressionar a Ucrânia para investigar o ex-vice-presidente dos EUA, Joe Biden, considerado o favorito à nomeação democrata para as eleições presidenciais 2020.

Os dois assessores de Giuliani foram detidos no aeroporto internacional de Dulles, nos arredores de Washington, e devem ser ouvidos esta quinta-feira num tribunal da Virgínia, refere o The Wall Street Journal, que descreve os detido como fazendo parte de uma comissão de angariação de fundos pró-Trump que ajudou os esforços de Giuliani para investigar Biden.

De acordo com a CNN, a acusação contra Lev Parnas e Igor Fruman sugere que a pressão exercida por Rudy Giuliani, com o aval de Donald Trump, está ligada a um esforço ilegal para influenciar a política norte-americana com recurso a fundos estrangeiros.

Com estes novos desenvolvimentos, o cerco aperta-se a Donald Trump, que está a ser alvo de um processo de destituição (impeachment), anunciado por Nancy Pelosi, a presidente da Câmara dos Representantes. Uma investigação desencadeada por um telefonema entre o presidente dos EUA e o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelenski. Nesta conversa telefónica, Trump pediu ao chefe de estado ucraniano que investigasse as atividades da família Biden.

A estação de TV norte-americana avança ainda que, no total, foram indiciados quatro homens por duas acusações de conspiração, uma acusação de falsas declarações à Comissão Federal de Eleições e uma acusação de falsificação de registos.

As outras duas pessoas que foram indiciadas foram David Correia, um empresário norte-americano, e Andrey Kukushkin, outro empresário norte-americano, que nasceu na Ucrânia.

O procurador-geral do distrito sul de Nova Iorque, que está a processar os dois colaboradores de Giuliani, vai dar uma conferência de imprensa ainda durante a tarde desta quinta-feira para anunciar formalmente a acusação neste caso.

Segundo a Reuters, Parnas é um empresário ucraniano e e Fruman é um investidor imobiliário que nasceu na Bielorrússia.

Lev Parnas e Igor Fruman terão colocado Giuliani em contacto com procuradores ucranianos. O advogado pessoal de Trump terá depois incentivado os investigadores a analisar irregularidades da família Biden na Ucrânia, nomeadamente as atividades de Hunter, o filho do ex-vice-presidente dos EUA, e a ligação deste com a empresa de gás Burisma.

Os dois homens terão conspirado para "canalizar dinheiro estrangeiro para candidatos a cargos federais e estaduais", de acordo com um processo judicial federal em Nova Iorque. Os dois homens fizeram contribuições ilegais, de acordo com a acusação.

John Dowd, advogado de Parnas e Fruman, recusou-se a comentar as acusações feitas aos seus clientes.

Confrontado com a detenção de Lev Parnas e Igor Fruman, o advogado pessoal de Trump e antigo presidente da Câmara de Nova Iorque também preferiu não tecer comentários.

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