Deb Haaland: uma indígena no Congresso dos EUA

Quando nasceu em 1960, os indígenas não tinham direito a votar no Novo México. Só dois anos depois isso aconteceu. Agora, tomou posse como congressista e espera ajudar a dar voz às diferentes tribos dos EUA.

No dia antes de tomar posse como congressista na mais diversa Câmara dos Representantes de sempre nos EUA, Deb Haaland disse que ainda não tinha tomado consciência do peso de ser uma das duas primeiras indígenas a servir no Congresso.

Haaland, de 58 anos, tinha acabado de reunir com os seus assessores e estava sentada no seu novo gabinete no Capitólio, enquanto os funcionários punham os telefones a funcionar e resolviam problemas logísticos como passar uma impressora através de uma entrada estreita.

A representante do 1.º Distrito do Novo México foi eleita pela primeira vez e pertence à tribo Laguna Pueblo. "O Congresso nunca ouviu uma voz como a minha", disse a democrata.

"Como a primeira mulher indígena no Congresso, sei que haverá expectativa das tribos de todo o país de que eu seja alguém que possa fazer avançar os seus assuntos", indicou Haaland. "Isso é algo que estou otimista serei capaz de fazer."

Haaland diz que há uma "epidemia" de mulheres indígenas desaparecidas ou assassinadas e que gostaria que o Congresso destinasse mais tempo ao assunto, assim como garantir que o sistema de justiça tribal tem os recursos que necessita para realizar as investigações.

Além disso, no topo da sua lista, está a luta contra as alterações climáticas, que ameaçam as frágeis terras tribais. "Se não estás com medo de morte das alterações climáticas, então não estás a ler as notícias", afirmou.

Haaland é uma de 102 mulheres (um recorde) que vai servir na Câmara de Representantes (435 lugares) durante a sessão de 2019-2020.

Há muitas "primeiras" entre elas. Haaland e Sharice Davids do Kansas, membro da tribe Ho-Chunk Nation, são as primeiras mulheres indígenas. Ilhan Omar, do Minnesota, e Rashida Tlaib, do Michigan, são as primeiras muçulmanas. Ayanna Pressley do Massachusets e Jahana Hayes do Connecticut são as primeiras negras a representar os seus estados. Todas são democratas.

Quando Haaland nasceu em 1960, os indígenas não tinham direito a votar no Novo México - apesar de terem direito a cidadania completa norte-americana desde 1924. Só puderam votar a partir de 1962, tendo este estado sido o último a garantir-lhes este direito no país.

No dia da tomada de posse, a 3 de janeiro, Haaland recebeu primeiro os eleitores do seu distrito de portas abertas no seu escritório. Na cerimónia de posse, usou as vestes tradicionais da sua tribo, incluindo um colar de flores de romã de prata e turquesa, que significam proteção e força, feito por uma artista Laguna.

Depois de ter feito o juramento ao lado dos novos colegas, tomou finalmente consciência das consequências daquilo que conseguiu.

Emocionada, virou-se para abraçar Davids, usando a ponta do lenço usado pela nova colega para limpar as lágrimas.

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