Coletes amarelos proibidos de se manifestarem nos Campos Elísios

Polícia não vai permitir protestos este sábado em várias zonas de França, como a praça do Capitólio, em Toulouse, a praça de Pey-Berland, em Bordéus, e os Campos Elísios, em Paris. Quem violar esta diretriz pode receber uma multa até 135 euros.

As autoridades francesas proibiram os protestos dos coletes amarelos nos Campos Elísios, em Paris, esta sexta-feira. Sábado será o 19.º fim de semana de manifestações do movimento que reivindica mais poder de compra e menos privilégios para quem está no poder.

"Didier Lallement, chefe da polícia, proíbe qualquer manifestação dos coletes amarelos ao longo da Avenida dos Campos Elísios, incluindo a zona da Presidência da República e da Assembleia Nacional", refeririam as autoridades francesas em comunicado citado pelo Le Monde.

Já na segunda-feira, o primeiro-ministro Edouard Philippe tinha anunciado que os protestos seriam banidos em várias zonas de França, como a praça do Capitólio, em Toulouse, a praça de Pey-Berland, em Bordéus, ou nos Campos Elísios, em Paris. Quem violar esta diretriz encorre numa multa até 135€.

A proibição surge na sequência do aumento da violência nos protestos do último fim de semana, quando cerca de 80 lojas, restaurantes ou supermercados foram vandalizados, não só com vidros partidos, mas completamente destruídos e pilhados, nas imediações dos Campos Elísios. Houve ainda um incêndio numa agência bancária que causou vários feridos ligeiros. Esta quarta-feira, foram decretadas 23 penas de prisão efetivas para as 86 pessoas que foram levadas a tribunal por causa dos distúrbios.

Já o ministro do Interior, depois de demitir vários altos postos da polícia, afirmou que a ação das autoridades este fim de semana será pautada pela "tolerância zero"."O lugar dos 'black blocs' [manifestantes violentos] é na prisão, não nos Campos Elísios", disse Castaner na quinta-feira.

Os planos para o 19.º fim de semana

Neste sábado, 23 de março, os coletes amarelos estão a organizar-se nas redes sociais para uma ocupação do Trocadero, em frente à Torre Eiffel, e junto do 16.º bairro, um dos mais exclusivos de Paris, onde até agora só aconteceram pequenas manifestações pontuais. O evento "Guerra declarada", criado numa página do Facebook, conta já com a adesão de centenas de pessoas.

Está prevista a mobilização da missão militar antiterrorista "Sentinelle" (Sentinela) para reforçar a segurança durante a manifestação. O Governo anunciou, esta quarta-feira, que o objetivo era proteger os edifícios públicos como ministérios, libertando assim agentes para o reforço da segurança noutros sítios. A utilização de drones durante as manifestações está também a ser estudada.

"Penso que vão voltar a usar um grande dispositivo de segurança, com muita polícia. Voltamos um pouco ao que aconteceu no início das manifestações, depois das primeiras violências", analisa Vincent Denis, professor de História Moderna na Universidade Paris, em declarações feitas à agência Lusa.

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