Cimeira das Coreias. "Sinto o grande peso que devemos suportar"

Kim Jong-un e Moon Jae-in deram início, na terça-feira, à cimeira entre a República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte) e a República da Coreia (Coreia do Sul), em Pyongyang. A desnuclearização da península é uma das prioridades.

À chegada, o presidente da Coreia do Sul pediu um esforço adicional para que se alcancem maiores progressos na agenda. "Sinto o grande peso que devemos suportar, juntamente com uma pesada responsabilidade", declarou Moon.

Por sua vez, Kim Jong-un também anunciou que espera progressos nas conversações sobre a desnuclearização com os Estados Unidos. E voltou a agradecer o papel de Moon.

"O presidente Moon ajudou a concretizar o início das históricas conversações entre a Coreia do Norte e os EUA", disse Kim no início da cimeira na capital norte-coreana. "Graças a isso, as condições regionais estabilizaram e espera-se um resultado mais aprofundado", acrescentou o líder norte-coreano na sede do Comité Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, onde decorreu a reunião.

Antes, e de forma inesperada, o ditador foi esperar Moon Jae-in e uma delegação de 110 pessoas ao aeroporto de Sunan. O momento foi transmitido em direto na Coreia do Sul.

Os dois homens, cada um acompanhado pela mulher, abraçaram-se antes de trocar algumas palavras. Numa encenação típica da Coreia do Norte, centenas de pessoas agitaram bandeiras da Coreia do Norte e imagens de uma península unida.

Depois, os dois dirigentes desfilaram de automóvel pelas ruas de Pyongyang. Milhares de pessoas com flores cantavam em uníssono "reunificação do país", ao longo dos passeios.

Os dois homens passaram em frente ao Palácio Kumsusan, onde estão enterrados Kim Il-Sung e Kim Jong-il, avô e pai de Kim Jong-un.

O encontro entre Moon e Kim acontece quase quatro meses depois de se terem conhecido, 26 de maio, na zona desmilitarizada que divide as duas Coreias.

Moon é o terceiro presidente da Coreia do Sul a visitar a capital da Coreia do Norte. Ao invés, nenhum líder norte-coreano esteve em Seul.

Impasse nas negociações

A viagem decorre num momento de bloqueio nas negociações de desnuclearização entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte. O líder sul-coreano disse que vai continuar o seu trabalho de mediação para se alcançar um avanço nessas negociações durante a viagem de três dias.

"Um (objetivo) é continuar a desenvolver as relações intercoreanas e o outro é promover o diálogo norte-coreano-americano tendo em vista a desnuclearização da península coreana", disse Moon na semana passada. .

"A viagem à Coreia do Norte teria um grande significado se pudesse levar à retomada do diálogo entre a Coreia do Norte e os EUA", disse Moon à sua equipa antes de partir para Pyongyang.

As negociações de desnuclearização foram interrompidas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter cancelado uma viagem do secretário de Estado Mike Pompeo à Coreia do Norte, tendo alegado falta de progresso no processo de desnuclearização.

Kim reafirmou o seu compromisso com o tema da desnuclearização enquanto se reunia com o enviado especial de Moon em Pyongyang neste mês.

O líder norte-coreano expressou inclusive a esperança de completar a desnuclearização antes que a primeira presidência de Trump termine em janeiro de 2021.

Pouco depois, Kim enviou uma carta a Trump. Considerada pela Casa Branca "muito calorosa" e "muito positiva", a missiva fez o presidente dos Estados Unidos voltar a considerar realizar uma segunda cimeira entre os EUA e a Coreia do Norte.

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