China aumenta tarifas de importação sobre soja, carros elétricos e peixes

Resposta de Pequim aos EUA, que anunciou aumento de 25% nas taxas sobre produtos chineses, agrava riscos de uma guerra comercial.

A China reagiu este sábado à disputa comercial com o presidente dos EUA, Donald Trump, aumentando as tarifas de importação numa lista de produtos americanos, incluindo soja, peixe, carros elétricos e uísque.

O governo chinês disse que está a responder "em igual escala" ao aumento tarifário de Trump nos produtos chineses, num conflito sobre o superávit comercial e a política tecnológica de Pequim, cuja rápida escalada preocupa as empresas, nomeadamente pela possibilidade de congelar o crescimento económico global.

"O lado chinês não quer travar uma guerra comercial, mas, diante da miopia do lado americano, a China precisa reagir com força", disse, em comunicado, o Ministério do Comércio, citado pela agência Associated Press.

Na sexta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a imposição de taxas aduaneiras de 25% sobre 50.000 milhões de dólares às importações chinesas "que contenham tecnologias muito importantes sobre o plano industrial".

Pequim vai agora impor uma tarifa adicional de 25% a partir de 6 de julho em 545 produtos dos Estados Unidos, incluindo soja, carros elétricos, suco de laranja, uísque, salmão e charutos, segundo o Ministério das Finanças.

A maioria dos produtos são comida e outros bens agrícolas, atingindo mais duramente os adeptos rurais de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da América (EUA).

Os reguladores chineses estão também a considerar um aumento da tarifa de outros 114 produtos, incluindo equipamentos médicos e produtos energéticos, acrescentou o ministério.

Já na sexta-feira a China tinha anunciado que ia impor tarifas "idênticas" às anunciadas pelos Estados Unidos, defendendo que deve haver "uma resposta coletiva" contra a "conduta retrógrada" daquele país, que anunciou tarifas de 25% sobre importações de 50 mil milhões de dólares.

"Tomaremos medidas imediatas sobre as tarifas de magnitude equivalente", escreveu o Governo chinês num comunicado, no qual apela a outros países para tomarem "uma ação coletiva" contra a "conduta retrógrada" que acusam os Estados Unidos de seguir.

Horas antes, Trump avisou que o país imporá novas tarifas se a China desencadear medidas de represália, como a imposição de novas taxas sobre bens norte-americanos, sobre os serviços ou sobre produtos agrícolas.

A decisão de Trump vai agravar a escalada de tensão comercial entre as duas maiores economias do mundo, tendo a China avisado, antes de o Presidente anunciar a decisão de hoje, que iria retaliar num valor idêntico ao imposto pelos Estados Unidos, o que está a afetar os mercados financeiros.

Por outro lado, a decisão surge também no rescaldo da cimeira que envolveu Trump e o seu homólogo da Coreia do Norte, Kim Jong-Un.

Trump já tinha imposto taxas aduaneiras às importações de aço e alumínio do Canadá, México, Europa e Japão, deixando desagradados os aliados norte-americanos.

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