Chefe dos serviços secretos alemães suspeito de informar extrema-direita

Hans-Georg Maassen negou qualquer ilegalidade

O chefe dos serviços de informações internas da Alemanha, Hans-Georg Maassen, voltou hoje a ser apontado como suspeito de transmitir informações confidenciais ao partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), segundo notícias da televisão pública.

A televisão cita o deputado da AfD Stephan Brandner, que disse ter-se encontrado com Maassen a 13 de junho e ter recebido dele informações classificadas sobre suspeitos de radicalismo islâmico e sobre o orçamento dos serviços de informações.

"Discutimos vários números que constavam" do relatório de 2017 da agência, antes de ser publicado e quando as informações ainda estavam classificadas como confidenciais, disse Brandner.

Maassen negou qualquer ilegalidade, afirmando, num comunicado: "Rejeito firmemente as acusações [...] O artigo [da televisão pública] sugere que informações ou documentos foram transmitidos sem fundamento jurídico, o que não é de todo o caso".

Maassen tem estado envolto em polémica nas últimas semanas por suspeita de ligações à extrema-direita.

Num livro publicado no princípio de agosto, a antiga militante da AfD Franziska Schreiber afirma que ele se reuniu várias vezes com dirigentes do partido, a quem deu conselhos para evitarem ser colocados sob vigilância dos seus serviços.

O líder da AfD, Alexander Gauland, confirmou ter-se encontrado com Maassen para falar de "questões de segurança".

Hans-Georg Maassen, oficialmente presidente do Gabinete Federal para a Proteção da Constituição (BfV), tem sido também criticado por ter contrariado afirmações da chanceler alemã, Angela Merkel, em que esta criticou a "caça aos estrangeiros" promovida por simpatizantes da extrema-direita no leste do país.

Merkel falava dos incidentes em Chemnitz, na Saxónia, onde no final de agosto o assassínio de um alemão deu origem a manifestações racistas e xenófobas e a distúrbios entre simpatizantes da extrema-direita e contramanifestantes.

Maassen negou que tivesse havido qualquer "caça a estrangeiros" e questionou a autenticidade de um vídeo divulgado pelos 'media'.

A veracidade do vídeo em causa acabou por ser confirmada e Maassen foi chamado a duas comissões parlamentares para se explicar, audições que decorreram à porta fechada.

As polémicas em torno do chefe dos serviços secretos estão a criar divisões na coligação governamental, com o ministro do Interior, Horst Seehofer, da União Social-Cristã (CSU), a renovar a confiança em Maassen, por um lado, e o Partido Social-Democrata (SPD) a exigir a sua demissão, por outro.

A líder do grupo parlamentar social-democrata, Eva Hoegl, sustentou no parlamento que os serviços de informações devem merecer "a confiança sem restrições" dos alemães e que, se há "a mais pequena dúvida, há um problema".

O secretário-geral do SPD, Lars Klinbeil, acentuou a pressão escrevendo mais tarde no Twitter que "Maassen tem de sair. Merkel tem de agir agora".

No partido de Merkel, a União Democrata-Cristã (CDU) também houve críticas a Maassen, mas a sua demissão não foi pedida.

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