Catalunha: Manifestantes cortam estradas e queimam pneus em Barcelona e Girona

Protestos vão continuar esta terça-feira na Catalunha. Já há voos cancelados em Barcelona e foi convocada uma greve geral para sexta-feira

A Catalunha enfrenta mais uma jornada de protestos, após a condenação por parte do Supremo espanhol dos principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha. Esta terça-feira, foram cancelados mais de 45 voos de ou para Barcelona, houve vários cortes de estradas e manifestações em Barcelona. .

De acordo com a companhia aérea Vueling o principal problema logo de manhã era que as tripulações e o pessoal de terra não estavam a conseguir chegar ao aeroporto, informa o La Vanguardia.

Esta manhã, manifestantes cortaram o trânsito nas estradas N-II em Mataró (Barcelona) e C-65 em Cassa de la Selva (Girona), queimando pneus e madeira em protesto contra a condenação de dirigentes políticos. De acordo com fontes do Serviço de Trânsito Catalão (SCT), a rede de estradas catalã amanheceu com alguns incidentes, depois de na segunda-feira manifestantes terem bloqueado e impedido a circulação rodoviária em várias estradas da região.

Já da parte da tarde, os media espanhóis noticiam cortes nas estradas AP-7, à saída de Girona, e na C-25 em Gurb. Em Barcelona, uma concentração obrigou primeiro a cortar a Avenida Parallel, seguindo depois para a Gran Via e Praça de Espanha

A plataforma independentista "Tsunami democràtic" assegurou que as mobilizações de segunda-feira alcançaram "os objetivos propostos" e anunciou que esta terça-feira iria mobilizar um novo protesto. Para já, estão marcadas concentrações para as 19.00 e as 21.00 em frente das principais delegações do Governo na região.

A Confederação Sindical Catalã (CSC) e a Intersindical Alternativa de Catalunha (IAC) convocaram para sexta-feira uma greve geral pelos "direitos e liberdades dos trabalhadores". Além da paralisação, está prevista uma manifestação que tem como ponto de partida os Jardinets de Gràcia, refere a Europa Press.

Os responsáveis pela CSC e IAC fizeram saber, em conferência de imprensa, que a greve geral tem como objetivo "exigir a restituição" dos direitos dos trabalhadores que foram sendo "cortados" nos últimos anos.

Os estudantes anunciaram também três dias de greve, a partir desta quarta-feira, sendo que muitos não foram já esta terça-feira às aulas, optando por participar nos vários protestos espalhados pela cidade de Barcelona e pela Catalunha.

Quim Torra garante que não vai "desfalecer nunca"

O presidente independentista do Governo regional catalão, Quim Torra, assegurou esta terça-feira que não irá "desfalecer nunca" no exercício do direito à autodeterminação da Catalunha. Torra fez esta declaração num discurso durante a cerimónia no cemitério de Montjuic, em Barcelona, em memória do ex-presidente do executivo catalão Lluís Companys, fuzilado pelo regime franquista há 79 anos, em 1940.

O atual presidente separatista exigiu que o governo central de Madrid "fizesse justiça com os crimes do franquismo" e declarasse a execução de Lluís Companys como um "crime de Estado". "Nunca iremos desfalecer no exercício do direito à autodeterminação", prometeu Quim Torra, que também fez uma alusão a outros dois chefes do executivo regional que estiveram no exílio durante a ditadura de Francisco Franco.

Mais tarde, Torra rejeitou a ideia de convocar eleições antecipadas na Catalunha após a sentença, sendo a sua aposta o fortalecimento das instituições catalãs frente à "nova onda de repressão que está a vir de Madrid".

Mais de 130 feridos no primeiro dia de protestos

Na segunda-feira, o Supremo espanhol condenou os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunhaa penas que vão até um máximo de 13 anos de prisão. O ex-vice-presidente da Generalitat Oriol Junqueras foi condenado, por unanimidade, a 13 anos de cadeia por delito de sedição e má gestão de fundos públicos. Foram condenados a 12 anos de cadeia os ex-conselheiros da Jordi Turull (ex-conselheiro da Presidência), Raul Romeva (ex-conselheiro do Trabalho) e Dolors Bassa (ex-conselheira para as Relações Exteriores) por delitos de sedição e má gestão. O antigo titular do cargo de conselheiro do Interior, Joaquim Forn e Josep Rull (Território) foram condenados a 10 anos de cadeia. Jordi Cuixart, responsável pela instituição Òmnium Cultural, foi condenado a nove anos de prisão por sedição.

Ao todo eram 12 os separatistas que aguardavam a leitura da sentença pelo seu envolvimento nos acontecimentos que levaram ao referendo ilegal sobre a autodeterminação da Catalunha realizado em 1 de outubro de 2017 e à declaração de independência feita no final do mesmo mês. Nove deles já estavam presos preventivamente, enquanto o ex-presidente do executivo regional Charles Puigdemont faz parte de um grupo de separatistas que continuam no estrangeiro e que não foram julgados.

Os factos reportam-se a 2017 sendo que os magistrados entendem que os acontecimentos de setembro e outubro do mesmo ano constituíram sedição visto que os condenados mobilizaram os cidadãos num "levantamento público e tumultuoso" para impedir a aplicação direta das leis e obstruir o cumprimento das decisões judiciais.

Assim que foi conhecida a sentença, uma série de grupos de independentistas iniciaram movimentos de protesto em todo o território da comunidade autónoma espanhola mais rica. A polícia anti-distúrbios carregou sobre um grupo que protestava no exterior do aeroporto de Barcelona, enquanto outros grupos separatistas incendiaram pneus para impedir a circulação de comboios e alguns bloquearam a circulação rodoviária em estradas da região.

No balanço dos protestos de segunda-feira contabilizam-se 131 manifestastes e 40 polícias e "mossos" feridos, 110 voos cancelados e três detidos (entre os quais um menor). 27 pessoas foram hospitalizadas.

A Polícia Nacional anunciou esta terça-feira a detenção do homem que ontem agrediu uma mulher em Tarragona que tinha uma bandeira espanhola. Foi detido por crime contra o exercício dos Direitos Fundamentais e Liberdades Públicas e por causar ferimentos graves.

Pelo menos seis pessoas foram feridas em resultado do uso de balas de borracha pelas autoridades: um jovem de 22 anos que perdeu um olho e um homem de 30 anos perdeu um testículo.

O governo espanhol já anunciou que vai enviar mais mil agentes da Guardia Civil para a Catalunha, tendo já reforçado o operativo dos anti-distúrbios da Polícia Nacional com outros 2000 agentes.

Políticos denunciam paredes pintadas em Barcelona

Esta manhã o secretário-geral do PPC, Daniel Serrano, publicou no Twitter uma imagem da fachada da sede do partido onde alguém pintou uma suástica e o número 155. Serrano comenta: "O tsunami democrático deixou-nos esta noite o seu cartão de visita. Digo-lhes que por muito que marquem as nossas sedes, por muito que nos ameacem, por muito que nos agridam, por muito que tentem paralisar ilegalmente a Catalunha, o Estado de direito continuará a fazer o seu trabalho".

Também o líder de Ciudadanos, Albert Rivera, denunciou a vandalização da loja dos seus pais, em Barcelona: "Ninguém merece ser perseguido por querer continuar a ser espanhol", diz.

(notícia atualizada às 17.00)

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