Cardeal francês condenado por encobrir mais de 60 casos de abusos sexuais

Um padre da sua diocese é acusado por, durante anos, ter abusado sexualmente de dezenas de menores. Barbarin e outros funcionários foram julgados por encobrimento.

O Tribunal de Lyon, em França, condenou o cardeal francês Philippe Barbarin, esta quinta-feira, por encobrimento de agressões sexuais a mais de 60 escuteiros menores de 15 anos por um padre da diocese. O arcebispo de Lyon recebeu um ano de prisão, mas a sentença foi convertida em seis meses de pena suspensa.

Barbarin foi acusado, juntamente com outros funcionários, de conhecer e não ter denunciado abusos sexuais praticados pelo padre Preynat durante a década de 1980 e início de 1990. Ao longo de algumas cartas que redigiu e conversas com as vítimas, Preynat confessou os crimes praticados e deverá ser presente a julgamento ainda este ano. Mas só pode ser acusado de sete dos mais de 60 casos, uma vez que todos os outros já prescreveram.

O caso surgiu a público a 23 de outubro de 2015, dia em que a diocese de Lyon revelou que tinha recebido queixas contra o padre Bernard Preynat por "agressão sexual a menores" cometida 25 anos antes.

"Ouvir todos esses homens fez-me tomar consciência das consequências desses atos vergonhosos e aterradores", admitiu Barbarin perante a juíza Catherine Vernay, em janeiro, durante uma sessão de julgamento.

A 23 de novembro de 2014, segundo contou, reuniu-se um antigo escuteiro que meses antes tinha denunciado os abusos junto da diocese. O mesmo terá dito que "para ele os factos estavam prescritos e culpou-se por não ter dado seguimento a esta história". Philippe Barbarin diz que imediatamente o encorajou a procurar outras vítimas, oferecendo ainda apoio para um possível processo judicial.

A 12 de janeiro de 2016, várias vítimas criaram uma associação chamada "La parole libéreé" e a 27 de janeiro o padre Bernard Preynat, que reconhece os factos. Já a 4 de marco de 2016, o Ministério Público de Lyon abriu uma investigação preliminar a vários líderes da diocese, incluindo o cardeal Barbarin, por "não-denúncia do crime", mas foi arquivada meses depois por decisão da procuradoria de Lyon.

O processo foi retomado posteriormente por citação direta iniciada pelas vítimas, sendo agora o caso julgado pelo que é chamada "a justiça dos homens", embora o cardeal tenha recentemente dito: "Só tenho um juiz que é o Senhor".

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