Candidatos democratas à Casa Branca unem-se contra favorito Bernie Sanders

Os candidatos democratas uniram-se contra o favorito Bernie Sanders e atacaram o passado de Mike Bloomberg durante o debate de terça-feira.

Como inegável favorito entre os democratas na corrida à Casa Branca, Bernie Sanders enfrentou os ataques dos adversários durante grande parte da noite, incluindo da também progressista Elizabeth Warren. A senadora de Massachusetts insistiu no argumento de que poderia executar as ideias, sobre as quais o senador de Vermont só poderia falar.

"Bernie e eu concordamos em muitas coisas", apontou. "Mas acho que seria uma Presidente melhor que Bernie", acrescentou Elisabeth Warren.

"Bernie e eu concordamos em muitas coisas", apontou. "Mas acho que seria uma Presidente melhor que Bernie", acrescentou Elisabeth Warren.

Já o grupo de candidatos apontados como moderados lutou para emergir como a principal alternativa a Sanders.

O ex-vice-presidente Joe Biden, que procura uma forte vitória na Carolina do Sul para manter viva a sua campanha, argumentou que apenas ele tem a experiência de liderar o mundo. A senadora Amy Klobuchar, do Minnesota, afirmou repetidamente que só ela poderia ganhar os votos nos campos de batalha que são os estados moderados.

Pete Buttigieg, ex-autarca de Indiana que emergiu nas últimas semanas como uma das mais sérias ameaças ao favoritismo de Sanders, apontou baterias ao socialismo democrático defendido pelo senador de Vermont e aos seus mais recentes comentários, quando expressou admiração pelo impulso na educação em Cuba dado pelo ditador cubano Fidel Castro.

"Não estou ansioso por um cenário em que tudo se resuma à nostalgia de Donald Trump pela ordem social da década de 1950 e à nostalgia de Bernie Sanders pela política revolucionária da década de 1960", explicou o ex-autarca de South Bend.

Sanders confiante

Mas os moderados pouco fizeram para se distinguirem uns dos outros, uma dinâmica que até agora só beneficiou o senador de Vermont. Sanders sublinhou durante todo o debate as sondagens que traçam um cenário em que é capaz de derrotar o atual Presidente republicano e salientou toda a atenção recente que recebeu por parte dos adversários democratas: "Estou a ouvir o meu nome a ser mencionado um pouco esta noite. Gostava de saber porquê".

A intensidade do debate de terça-feira, com candidatos repetidamente a gritarem uns com os outros, reflete a realidade de que a ala mais 'institucional' dos democratas está muito rapidamente a ficar sem tempo para impedir a ascensão de Sanders

A intensidade do debate de terça-feira, com candidatos repetidamente a gritarem uns com os outros, reflete a realidade de que a ala mais 'institucional' dos democratas está muito rapidamente a ficar sem tempo para impedir a ascensão de Sanders.

Até alguns críticos, entre eles Mike Bloomberg, empresário e ex-autarca de Nova Iorque, admitiram que Sanders pode construir uma liderança insuperável de delegados já na próxima semana.

O décimo debate da temporada primária de 2020, ocorreu apenas quatro dias antes da primeira primária da Carolina do Sul e uma semana antes de mais de uma dúzia de estados votarem na designada "Super Terça-feira".

Os candidatos democratas à Casa Branca não terão outro debate até meados de março, algo que tornou este confronto de terça-feira no derradeiro esforço de alguns se salvarem e alterarem a trajetória na luta pela nomeação.

Bloomberg: campanha de 460 milhões de euros

Bloomberg também enfrentou ataques contínuos que lhe deram a oportunidade de se redimir após uma má estreia no debate da semana passada.

Warren esforçou-se ao máximo para atingir o seu estatuto enquanto empresário e trouxe para o debate relatos de uma alegação específica de que Bloomberg dissera a uma funcionária grávida que deveria matar o feto. Bloomberg negou veementemente a acusação, mas reconheceu que às vezes fazia comentários inapropriados.

Bloomberg "não pode ganhar a confiança do núcleo do Partido Democrata", defendeu Warren. "É o candidato mais arriscado do mundo", acrescentou.

Bloomberg já gastou mais de 500 milhões dólares (460 milhões de euros) numa campanha publicitária nacional e a sua fortuna garante que continuará a ser um fator a ter em conta pelos adversários

Contudo, Bloomberg continuará provavelmente a ter um peso na corrida, enquanto outros candidatos podem enfrentar escolhas difíceis sobre a sustentabilidade das suas campanhas. Bloomberg já gastou mais de 500 milhões dólares (460 milhões de euros) numa campanha publicitária nacional e a sua fortuna garante que continuará a ser um fator a ter em conta pelos adversários, pelo menos até à "Super Terça-feira".

Desde os primeiros momentos do debate, Bloomberg procurou retratar um claro contraste com Sanders, frisando que tanto Trump como o Presidente russo, Vladimir Putin, concordam que Sanders seria o melhor candidato para os democratas.

"Vladimir Putin acha que Donald Trump deveria ser Presidente dos Estados Unidos e é por isso que a Rússia está ajudá-lo a ser eleito para que perca para ele", disse.

Ei, Sr. Putin, se for Presidente dos Estados Unidos, confie em mim, nunca mais vai interferir numa eleição americana

Na semana passada, Sanders reconheceu que teria sido informado por funcionários dos serviços de informação sobre o facto de a Rússia estar a tentar interferir nas eleições para o beneficiar.

Sanders preferiu responder a Bloomberg na terça-feira com uma declaração direta a Putin: "Ei, Sr. Putin, se for Presidente dos Estados Unidos, confie em mim, nunca mais vai interferir numa eleição americana".

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