Candidato socialista às presidenciais abandona o partido

Anúncio de Benoît Hamon foi formalizado na apresentação de novo movimento político que se quer "além dos partidos".

O ex-candidato do Partido Socialista francês, Benoît Hamon, às recentes eleições presidenciais neste país anunciou ontem o abandono do partido, afirmando que vai trabalhar para a "reconstrução da esquerda" com um novo movimento político.

Militante socialista desde há 30 anos, Hamon fez o anúncio numa iniciativa que protagonizou, a apresentação do Movimento do 1.º de Julho (M1J), em Paris, falando perante cerca de 11 mil pessoas.

"Decidi abandonar o Partido Socialista. Abandono um partido sem abdicar do ideal socialista", indicou o candidato derrotado na primeira volta das presidenciais, a 23 de abril. Nesta votação, Hamon não obteve mais do que 6,4% dos votos. A esta derrota seguiu-se uma outra, nas legislativas de junho, quando foi eliminado logo na primeira volta.

Hamon, de 50 anos, disse que o Partido Socialista "teve o seu tempo. Houve momentos de glória, mas é hoje minha convicção que chegou a hora de voltar a página e iniciarmos um processo comparável ao de Epinay". Referência ao congresso fundador do partido que sucedeu naquela cidade em 1971.

O ex-ministro durante a presidência de François Hollande, teve uma palavra para os ainda militantes socialistas, afirmando que "isto não é um "adeus" mas um "até já", um "até breve" nos combates que vamos travar, pois é necessário reencontrarmo-nos no âmbito da grande família da esquerda (...), na futura casa comum sem a qual não haverá vitória possível".

O anúncio de Hamon foi feito no final da apresentação do M1J, iniciativa recebida com distanciamento pelo resto da esquerda, a começar pela própria família socialista, sendo evidente a ausência das principais e destacadas figuras do partido.

Ainda que representantes de diferentes forças de esquerda tenham estado presentes, dos comunistas aos ecologistas, os comentadores sublinhavam que a natureza da iniciativa, "para além dos partidos", vem colocar muitas dúvidas. Era ainda referido que o projeto de desencadear os "estados gerais da esquerda", já a partir de setembro, era demasiado ambicioso e estava envolvido em muitas incógnitas para se vir a concretizar.

Ainda antes de ser conhecida a decisão de Hamon, um dirigente socialista, comentando a apresentação do M1J, declarava que "afirmar uma ambição pessoal não me parece a melhor forma de iniciar um novo ciclo político (...). Parece até que se procura surgir como candidato para [as presidenciais] de 2022", disse Laurent Baumel, citado pela AFP.

Também para os comunistas, a ideia de uns estados gerais da esquerda é prematura e mesmo sem sentido. "A esquerda está presente e deve unir-se no terreno concreto das lutas (...). É demasiado otimista pensar que em setembro estaremos em situação de fazer algo muito diferente daquilo que conseguimos hoje fazer", comentou para a AFP um dirigente do PCF.

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