Relatório diz que há "provas esmagadoras" contra Trump

O inquérito que visa a destituição de Donald Trump reuniu "provas esmagadoras" de "conduta inapropriada" do presidente, segundo o relatório oficial da comissão parlamentar que realizou as investigações.

"O inquérito de destituição mostrou que o presidente Trump, pessoalmente e através de agentes, dentro e fora do governo, solicitou a ingerência de um país estrangeiro, a Ucrânia, para favorecer a sua campanha de reeleição", segundo este relatório da comissão de Informações da Câmara dos Representantes, com maioria do Partido Democrata.

"O Presidente condicionou um convite (ao presidente ucraniano) para uma ida à Casa Branca e a ajuda militar à Ucrânia ao anúncio de inquéritos favoráveis à sua campanha" eleitoral, detalharam os autores do documento, que também acusaram Trump de ter "entravado" as investigações.

A Casa Branca já reagiu classificando o documento como uma "impostura", que "não produziu qualquer prova" contra Trump.

"Este relatório só reflete as frustrações" dos democratas, "lê-se como as divagações de um autor de um blogue de baixo nível, que se esforça em provar qualquer coisa, quando não claramente nada", acrescentou a porta-voz, Stephanie Grisham.

Trump colocou os seus "interesses pessoais e políticos" à frente do país

No documento, que a Comissão das Informações da Câmara dos Representantes divulgou na terça-feira, são referidos os argumentos de um possível julgamento político contra o presidente norte-americano, acusado de ter colocado os seus "interesses pessoais e políticos" à frente dos do país.

Ao longo de 300 páginas do relatório é relatado como Donald Trump condicionou alegadamente a entrega da ajuda militar à Ucrânia à abertura de uma investigação por parte de Kiev ao ex-vice-presidente democrata Joe Biden e ao seu filho Hunter, por presumível corrupção no país europeu, o que iria beneficiar a campanha eleitoral do inquilino da Casa Branca e desembocou na atual investigação do Congresso a Trump.

Em resultado da investigação dos congressistas, os democratas da Câmara de Representantes consideram que Trump abusou do poder, obstruiu as investigações do Congresso e comprometeu a segurança nacional, pelo que consideram que, tudo junto, há motivos suficientes para a sua destituição.

O documento vai servir de base à Comissão Judicial da Câmara dos Representantes, que vai agora redigir os designados "artigos de juízo político", isto é, as acusações contra o presidente dos EUA, caso venha a ser aberto o processo de destituição.

As principais conclusões do documento apontam, entre outras, para abuso de poder, obstrução inédita e para comprometer a segurança dos EUA.

Assim, o texto recordou o telefonema entre Trump e o presidente ucraniano, Vladimir Zelenski, em que aquele lhe pediu "um favor", e denunciou que o multimilionário republicano procurou interferir no resultado das próximas eleições.

"Durante um telefonema em 25 de julho, o presidente Trump pediu ao presidente Zelenski, da Ucrânia, que lhe 'fizesse um favor' e investigasse Joe Biden", sublinhou a comissão.

Outra acusação a Trump foi a de fazer uma "obstrução sem precedentes", considerando a comissão que este foi mesmo "o primeiro e único presidente na história dos EUA que desafia indiscriminada e abertamente todos os aspetos do processo constitucional de destituição ao ordenar a todas as agências federais e funcionários, de maneira categórica, que não cumpram as intimações".

Os democratas consideraram que esta "falta de cooperação sem precedentes" pode ser vir como "fundamento" da proposta de destituição de Trump.

Comprometer a segurança dos EUA é outra acusação feita a Trump, uma vez que este usou os poderes do seu cargo para solicitar a interferência estrangeira nas eleições de 2020.

Acresce, salientaram os democratas, que a Ucrânia, para Trump, pouco ou nada importava, baseando-se nas declarações prestadas no Congresso pelo embaixador dos EUA na União Europeia, Gordon Sondland.

"Pelo contrário", destacou-se no documento, a Trump só lhe importavam as "coisas importantes" que o beneficiavam pessoalmente, como "a investigação a Biden".

No documento, particularizou-se ainda que, "em 11 de setembro, o presidente Trump levantou o bloqueio da assistência militar à Ucrânia, depois de a Casa Branca considerar que a sua conspiração tinha sido exposta".

Os democratas argumentaram que Trump só desbloqueou a ajuda militar à Ucrânia quando os meios de comunicação e vários congressistas começaram a denunciar a existência de um 'quid pro quo', expressão que designa troca de favores, nas atitudes de Trump em relação a Kiev.

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