Costa quer rápidas decisões do Reino Unido para evitar saída descontrolada

O primeiro-ministro lamentou a rejeição pelo parlamento britânico de um acordo que, no seu entender, criava boas condições para uma transição para a saída do Reino Unido

O primeiro-ministro lamentou esta terça-feira a rejeição pelo parlamento britânico do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia e afirmou esperar que, "rapidamente", as autoridades britânicas informem quais os seus próximos passos para evitar uma saída descontrolada.

António Costa falava aos jornalistas num hotel em Lisboa, pouco depois de ser conhecido que o parlamento britânico rejeitara o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia negociado pelo Governo de Theresa May com Bruxelas, por 432 votos contra e apenas 202 a favor.

"Lamento que não tenha sido possível aprovar o acordo que foi longamente negociado entre a União Europeia e o Governo britânico, porque era um bom acordo, já que correspondia às necessidades dos cidadãos britânicos na União Europeia e dos cidadãos da União residentes no Reino Unido. O acordo criava boas condições para uma transição para a saída do Reino Unido, que a União Europeia não deseja, mas que respeita, permitindo tempo para uma negociação calma e serena sobre a relação futura, que todos desejamos que seja o mais próxima possível", declarou o primeiro-ministro.

Após a rejeição do acordo negociado pela primeira-ministra, Theresa May, o líder do executivo português disse esperar agora que o Reino Unido, "rapidamente, informe a União Europeia do que pretende fazer nos próximos passos, porque há algo essencial a evitar: Uma saída descontrolada".

Santos Silva lamenta resultado

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, lamentou o chumbo pelo parlamento britânico do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia e disse esperar que Londres diga o que tenciona fazer a seguir.

"Em primeiro lugar, lamento o resultado, que impede que o Reino Unido possa aprovar o acordo de saída que a sua equipa negocial acertou com a equipa negocial da UE a 27", disse Santos Silva à agência Lusa.

"E, evidentemente, esperamos que o governo britânico diga quais são as suas intenções o mais brevemente possível, porque cria-se assim um impasse e compete ao governo britânico dizer aos seus parceiros europeus o que tenciona fazer a seguir", acrescentou.

Questionado sobre quais podem ser os passos a dar, o ministro insistiu que "compete aos britânicos dizer o que querem fazer", frisando que "Portugal e os restantes Estados-membros têm mostrado uma enorme flexibilidade e uma enorme disponibilidade" para uma saída com "os menores efeitos negativos" "e ordenada".

Santos Silva reiterou, por outro lado, que Portugal apoiaria um eventual pedido britânico de prorrogação do prazo de negociações ou mesmo uma decisão de voltar atrás na decisão de sair da UE.

"Temos dito, desde o início, que do nosso ponto de vista o 'Brexit' é um evento negativo quer para UE quer para o Reino Unido [...] Mas muito mais negativo é que saída se faça de forma desordenada. Portanto, da nossa parte, da parte portuguesa, estamos inteiramente disponíveis para dar a nossa concordância se o Reino Unido pedir a prorrogação da saída ou se decidir reverter a sua própria vontade de sair", afirmou.

O ministro referiu, por outro lado, que para Portugal, o "chumbo" "significa a intensificação das preparações" para uma saída sem acordo.

Santos Silva referia-se ao plano de contingência do Governo português, cuja parte relativa aos direitos dos cidadãos foi aprovada no Conselho de ministro da semana passada e a parte relativa às empresas vai ser aprovada no Conselho de ministro da próxima quinta-feira.

O acordo de saída da União Europeia foi hoje rejeitado por uma maioria de 432 deputados no parlamento britânico, contra 202 votos a favor.

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