Bolsonaro corre risco de impeachment se não mostrar teste de coronavírus

A decisão é de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, após iniciativa de deputado do PT e dá 30 dias ao presidente para apresentar o documento. Entretanto, número dois do ministério da saúde demite-se mas o ministro não aceita

Jair Bolsonaro tem até 30 dias para mostrar o seu exame ao novo coronavírus. A Câmara dos Deputados do Brasil, liderada por Rodrigo Maia, que vem mantendo atritos com o presidente da República desde há meses, aceitou um requerimento de Rogério Correia, do PT, nesse sentido, noticiou o jornal O Globo. Como a constituição brasileira prevê que "a recusa de envio de informações, o não atendimento no prazo estabelecido ou a prestação de informações falsas acarretam crime de responsabilidade", no limite o caso pode originar impeachment .

O requerimento foi apresentado por Correia no dia 31 de março. "Por se tratar do presidente e este ser o mandatário maior da república, torna-se fundamental que esta informação seja de domínio público, neste sentido é que requeiro o seu envio à Câmara dos Deputados", escreveu o deputado.

O vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (Republicanos), acatou o requerimento, decisão corroborada por Rodrigo Maia (DEM). A solicitação está agora na posse da Secretaria-Geral da presidência, que terá o prazo de 30 dias para responder.

Bolsonaro fez viagem oficial aos Estados Unidos no início de março. De tosdos os integrantes da comitiva, 15 testaram positivo para covid-19 na sequência, incluindo dois ministros e o secretário de comunicação da presidência. O primeiro teste, segundo o presidente, deu negativo - ele comemorou o facto com uma fotografia nas redes sociais em que fazia um manguito. E o segundo também.

Pelo meio, a Fox News, emissora de televisão conservadora norte-americana, chegou a noticiar que Bolsonaro testar positivo, com base em declarações do seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro. Em seguida, para perplexidade do jornalista com quem falou, Eduardo voltou atrás.

Os testes foram feitos em instalações das Forças armadas em Brasília e não foram divulgados.

Crise na saúde

No meio de novas especulações dando conta da iminente demissão de Luiz Henrique Mandetta, ministro da saúde, por incompatibilidades com Bolsonaro - o primeiro defende o isolamento, o segundo o regresso às aulas e a reabertura do comércio - o número dois do ministério a saúde antecipou-se e demitiu-se.

Mandetta, porém, recusou. "Quando sairmos, saímos juntos", afirmou.

Wanderson Oliveira, enfermeiro epidemiologista, é o responsável direto por desenhar as medidas de combate à pandemia e participa diariamente das conferências de imprensa no Palácio do Planalto ao lado de Mandetta, que o indicou para o cargo.

Nas últimas semanas, segundo o site da revista Exame, queixava-se do discurso do presidente contrário ao isolamento social mais amplo.

Já nesta manhã, enviou por e-mail uma carta a seus subordinados em que avisava que a saída de Mandetta estava programada para "as próximas horas ou dias".

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