Grécia e Egyptair assumem: não há provas que destroços sejam do avião

Objetos foram encontrados perto da ilha grega de Cárpatos. Terrorismo é a causa apontada como provável

A EgyptAir tinha confirmado, mas após a Grécia colocar dúvidas, a companhia aérea acabou por recuar: Os destroços encontrados no Mediterrâneo podem não pertencer ao Airbus A320 que se despenhou esta madrugada.

O recuo da EgyptAir foi avançado no Twitter ao início da noite pela CNN, no que é afinal um acerto de posições entre as autoridades gregas e egípcias.

O responsável pela segurança aérea na Grécia, Athanassios Binos, afirmou, citado pela BBC, que "até ao momento as análises indicam que os destroços não são ao avião. O meu homólogo egípcio também confirmou que não há provas que os destroços seja do voo da EgyptAir", salientou.

A companhia aérea tinha anunciado que recebera a informação do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Egito que os destroços eram do seu avião. 66 pessoas viajavam a bordo do Airbus320 que se despenhou perto da ilha grega de Cárpatos esta madrugada. O avião partiu de Paris e tinha como destino o Cairo. Um português estava a bordo.

O Egito irá liderar a investigação que contará também com a colaboração de investigadores franceses, pois o avião foi construído naquele país, além de estarem vários cidadãos a bordo. O Reino Unido e a Grécia também ofereceram ajuda. Encontrar as caixas negras será uma das prioridades.

Os britânicos enviaram um avião para ajudar nas operações de busca, seguindo o exemplo dos EUA, que responderam a um apelo das autoridades gregas.

Terrorismo é a causa mais provável

O ministro egípcio da Aviação Civil, Sherif Fathy, admitiu perante os jornalistas numa conferência de imprensa que o "terrorismo é mais provável do que uma falha mecânica". A queda do avião da EgyptAir esta madrugada levou a uma enorme operação de buscas no Mediterrâneo perto de várias ilhas gregas. "Se analisarmos bem a situação, a possibilidade de ter um ataque terrorista é maior do que a de ter um problema técnico", afimou o ministro. A sua afirmação vai de encontro ao que dizem vários especialistas.

O presidente francês François Hollande confirmou que o avião da EgyptAir que fazia a ligação entre Paris e o Cairo se despenhou no Mediterrâneo. O voo MS804 desapareceu dos radares durante a madrugada, com 56 passageiros e 10 membros da tripulação a bordo - incluindo um passageiro português.

Em declarações aos jornalistas, Hollande disse que "infelizmente, as informações confirmam que este avião se despenhou". Hollande, que convocou uma reunião de emergência após a notícia de que o avião, que partira de Paris com 15 franceses a bordo, disse ainda: "É o nosso dever descobrir o que aconteceu. Nenhuma hipótese é privilegiada, nenhuma é descartada. (...) Logo que se estabeleça a verdade, tiraremos as nossas conclusões, seja um acidente ou um ataque terrorista".

O último contacto com o MS804 foi às 2.45 locais (1.45 em Lisboa) pouco depois de este ter entrado no espaço aéreo egípcio sobre o Mediterrâneo, 280 km a norte da costa do Egito.

A agência Reuters avançava por volta das 14.00 em Lisboa que possíveis destroços tinham sido descobertos a cerca de 100 quilómetros a sudeste do local onde o avião tinha desaparecido do radar. Uma equipa grega tinha encontrado dois grandes pedaços de plástico a flutuar no bar, brancos e vermelhos.

Equipas de busca e resgate foram mobilizadas para procurar o avião, em coordenação com as autoridades gregas. A agência noticiosa Agence France Presse escreve, citando fonte aeroportuária, que o avião se despenhou perto da ilha grega de Cárpatos. A Reuters escreveu que as autoridades gregas e egípcias estavam a investigar o testemunho de um capitão de navio que vira uma "chama no céu" perto da hora do desaparecimento do MS804, também a sul da ilha de Cárpatos.

A bordo seguiam pessoas de 12 nacionalidades, incluindo um passageiro português, segundo informou a companhia aérea. O governo português já confirmou que existia uma pessoa de nacionalidade portuguesa a bordo do avião, um homem de 62 anos que trabalhava em Joanesburgo, na África do Sul.

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O primeiro-ministro francês Manuel Valls já disse que "nenhuma teoria sobre as causas do acidente pode ser excluída". O Presidente François Hollande já falou com o seu homólogo egípcio e já marcou uma reunião de emergência para analisar o incidente.

O avião era um Airbus A320, que um perito descreveu à BBC como tendo um "incrível" histórico de segurança. O comandante do voo tinha 6275 horas de voo, incluindo 2101 num Airbus A320. O avião em causa é de 2003. Partiu de Paris perto das 23.00 locais (22.00 de Lisboa) e deveria chegar ao Cairo perto das 3.00 horas locais, mas o contacto radar perdeu-se pouco antes dessa hora.

No entanto, a EgyptAir diz que os aparelhos de emergência do avião, possivelmente o localizador de emergência, enviaram um sinal que foi recebido às 4.26 (hora local, 3.26 em Lisboa) pelo exército, já depois de o avião ter desaparecido dos radares. O exército, no entanto, já desmentiu esta informação.

A transportadora aérea ativou um número para responder a pedidos de informação internacionais: +202 25989320.

Em março, um homem desviou um avião da EgyptAir, forçando o aparelho a uma aterragem no Chipre, mas o cinto de explosivos que usava era falso e as autoridades consideraram que não se tratava de terrorismo, mas sim de ações de "uma pessoa psicologicamente instável".

Notícia em atualização

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