Avaliação de Elisa Ferreira no PE: "Vimos que temos diante de nós uma comissária competente"

Eurodeputados da comissão de Desenvolvimento Regional do Parlamento Europeu elogiam a comissária indigitada para a pasta da Coesão e Reformas mas prometem e avisam desde logo que estarão sempre vigilantes

É num tom elogioso que o presidente da comissão do Desenvolvimento Regional do Parlamento Europeu se refere a Elisa Ferreira e ao "voto positivo" que os deputados dessa comissão inscreveram na carta dirigida aos presidentes dos grupos políticos europeus, no sentido de ver a portuguesa confirmada como futura comissária da Coesão e Reformas, na equipa liderada pela alemã Ursula von der Leyen e que deverá entrar em funções a 1 de novembro.

Younous Omarjeede deu a entender que Elisa Ferreira é pessoa mais indicada para as funções que vai desempenhar na Comissão Europeia, manifestando confiança na sua "capacidade para ser uma comissária forte".

"É isso que queremos, uma comissária que não seja dominada pela administração, mas que domine a administração e uma comissária que conte, dentro do colégio de comissários", disse aos jornalistas o presidente daquela comissão, no final da reunião de avaliação à audição de Elisa Ferreira, que decorreu esta quinta-feira de manhã em Bruxelas.

Porém, no âmbito das relações institucionais que, a partir de 1 de novembro, vão desenvolver-se entre a comissão parlamentar a que preside e a futura comissária, Younous Omarjee prometeu uma cooperação "exigente".

"Precisamos de uma muito boa parceria e a comissão [parlamentar] REGI e a comissária para a política regional e reformas, mas nós somos o Parlamento. Penso que ela viu que terá diante dela uma comissão exigente. E também vimos que temos diante de nós uma comissária competente, de grande qualidade, que tem uma ambição para a política regional", afirmou.

Em declarações aos correspondentes portugueses em Bruxelas, Younous Omarjee, eurodeputado eleito pela ilha da Reunião (território ultramarino da França), avisou desde já que há matérias que vão ter de ser negociadas, a começar pelo dossiê das reformas. "Não somos hostis à concretização de reformas, não somos hostis ao semestre europeu, mas desejamos que seja mais democrático", referiu.

Os eurodeputados prometem "ser vigilantes", para evitar qualquer dúvida em relação a um potencial conflito de interesses, entre o futuro cargo de Elisa Ferreira e as funções do marido desta na CCDR Norte. Mas, por agora, os eleitos que integram aquela comissão parlamentar dão-se por satisfeitos com as explicações dadas pela portuguesa e "vão confiar" nelas.

"Vamos confiar no que foi dito, - e seremos vigilantes -, de que se problemas surgissem que nós seremos informados", disse, referindo-se às explicações que Elisa Ferreira deu ontem na comissão parlamentar do Desenvolvimento Regional, a dar conta de que já informou a presidente da Comissão Europeia sobre a intenção de se abster em votações que possam levantar dúvidas em matéria de conflito de interesses.

Na quarta-feira à tarde a antiga eurodeputada socialista foi questionada por uma deputada austríaca do PPE, sobre a dúvida em torno de um potencial conflito de interesses dadas as funções de comissária com as funções do seu marido, na CCDR Norte. Elisa Ferreira esclareceu que tomou medidas para afastar "todas as dúvidas"

"Escrevi à presidente eleita dizendo que, se em algum momento, houver algum risco - e vou ler o que escrevi -, estou preparada para tomar todas as medidas necessárias para prevenir qualquer perceção de conflito de interesses", respondeu.

"Concretamente, isto significa que me absterei de qualquer participação em decisões relativas à implementação de fundos que são da minha responsabilidade e que possam diretamente ou indiretamente ter impacto nos interesses pessoais do meu marido enquanto presidente dessa instituição", garantiu a comissária indigitada.

Esta quinta-feira de manhã, os eurodeputados aprovaram a nomeação de Elisa Ferreira, para o cargo de comissária da Coesão e Reformas. Tecnicamente por unanimidade, com a oposição da coordenadora do grupo político da extrema-direita. A representante do grupo Identidade e Democracia ausentou-se da sala durante a votação. E todos os grupos que estiveram presentes declararam o voto positivo sobre a "competência" e o "perfil" da comissária escolhida pelo governo português.

Elisa Ferreira, de 63 anos, foi ouvida na quarta-feira à tarde na comissão parlamentar do Desenvolvimento Regional, numa audição que os próprios eurodeputados classificaram como "exigente", com críticas a um subentendido apoio a cortes na política regional, mas Elisa declarou-se uma defensora das verbas para a coesão, prometendo bater-se "no nível mais alto possível", fazendo campanha entre os colegas, dentro do colégio de comissários, para que a política regional não seja a mais afetada na redução do orçamento global da União Europeia, que decorre da perda de um Estado membro, que é o Reino Unido, por causa do Brexit.

O presidente da Comissão do Desenvolvimento Regional considerou ainda que quer "a qualidade das perguntas, quer das respostas", permitiu validar a audição.

Esta comissão, em concreto vai agora elaborar uma carta, que será dirigida à conferência de presidentes dos grupos políticos, que tem reunião agendada para dia 17, para oficializar as orientações aqui decididas e confirmar o nome de Elisa Ferreira para membro da nova Comissão Europeia.

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