Autoridades chinesas destroem igreja evangélica

Com uma congregação de 50 mil pessoas, a igreja há muito que vivia em atrito com o governo

As autoridades de uma cidade do norte da China demoliram uma igreja evangélica, a Golden Lampstand Church, esta semana, disseram testemunhas e ativistas radicados no estrangeiro, citados pela agência noticiosa Associated Press (AP).

Um funcionário do gabinete para assuntos religiosos da cidade de Linfen, na província de Shanxi, citado pela AP, afirmou que não se tratou de uma demolição, mas relatos de ativistas radicados fora do país e de testemunhas dão conta que forças militares usaram escavadoras e dinamite, na terça-feira, para destruir uma igreja em Linfen, um dos centros da indústria do carvão na China.

A ChinaAid, um grupo de defesa dos cristãos chineses com sede nos Estados Unidos, avançou que as autoridades locais colocaram explosivos numa sala de oração, na cave da igreja, para demolir o edifício. Fotografias divulgadas pela ChinaAid mostram o campanário e cruz derrubados, ilustrando a tensão entre grupos religiosos e o Partido Comunista Chinês (PCC), que é oficialmente ateu.

"Penso que isto possa ser um novo padrão contra qualquer igreja independente com um edifício existente, ou com intenção de construir um", avançou Bob Fu, da ChinaAid, em declarações ao The Guardian, "Ou também pode ser o início da aplicação da nova regulação em termos religiosos, que terá efeito a partir de fevereiro".

A nova regulação pretende sublinhar a prevenção das práticas religiosas ilegais e extremas, segundo o site do Governo Chinês.

Com uma congregação de 50 mil pessoas, a igreja há muito que vivia em atrito com o governo.

Já em 2009, centenas de polícias e capangas contratados confiscaram bíblias e destruíram parte da igreja, enquanto vários líderes religiosos locais foram punidos com prisão.

Estima-se que haja 60 milhões de cristãos na China, mas as manifestações religiosas no país são apenas permitidas no âmbito das igrejas aprovadas pelo PCC.

A crescente popularidade das chamadas igrejas clandestinas tem levado as autoridades a adotar medidas repressivas, face à preocupação que coloquem em causa o controlo político e social exercido pelo governo.

A igreja já tinha sido acusada de violar contratos de uso dos terrenos e os códigos de construção, acusações frequentemente usadas contra igrejas clandestinas.

Um padre, que preferiu não ser identificado, referiu, citado pelo The Guardian, que receia que mais igrejas tenham o mesmo fim, incluindo a sua.

No mês passado, outra demolição teve efeito numa província vizinha, sem que as autoridades explicassem o porquê. Desde 2013, que as autoridades têm agido contra catedrais e removeram mais de 1,200 cruzes, segundo o The Guardian.

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