Atiradores fazem oito mortos e 10 feridos em escola. Homicida tinha sido expulso

Dois atiradores, que segundo a polícia militar terão entre 17 e 25 anos, mataram oito pessoas - cinco deles crianças - antes de se suicidarem. Segundo as autoridades um dos homicidas tinha sido expulso da escola no ano letivo passado.

Dois ex-alunos invadiram a Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, esta quarta-feira de manhã durante o intervalo das aulas (às 9.20) na tentativa de, segundo a polícia, fazerem o maior número possível de vitimas. Segundo as mais recentes informações avançadas pela Polícia Militar, há nesta altura dez mortos, entre os quais cinco crianças e dois funcionários - a coordenadora pedagógica Marilena Ferreira, de 59 anos, e uma agente de organização escolar chamada Eliana Regina de Oliveira Xavier. Antes de chegarem à escola ainda balearam o dono de uma estação de lavagem de carros. Há ainda dez estudantes feridos.

Os dois atiradores, que segundo a polícia militar foram identificados como Luiz Henrique de Castro (25 anos) e Guilherme Taucci Monteiro (17) morreram no local. De acordo com a mesma fonte o mais novo tinha um historial na escola - frequentada pelos dois - que levou a que fosse expulso da mesma no ano letivo passado.

O governador João Doria decretou, entretanto, três dias de luto no Estado.

Neste momento as autoridades estão a fazer a reconstituição do que aconteceu e a tentar perceber as motivações que levaram a este atentado. A entrada da polícia científica foi atrasada devido à presença de uma mochila que a polícia suspeitava poder ter explosivos, mas que depois de analisada se comprovou que continha apenas um pacote.

Numa conferência de imprensa as autoridades adiantaram estar também a investigar a hipótese de um dos atiradores ter atirado sobre o companheiro antes de se matar. "Nenhuma hipótese está afastada. O que se sabe é o seguinte: o sargento da força tática estava a dez metros deles. Eles viram o sargento Camargo, o cabo Ariana e o cabo Diniz indo na sua direção. Aí ele [o sargento] escutou dois disparos. Um, possivelmente, tenha sido eliminado. E esse que eliminou se tenha suicidado", explicou o secretário João Camilo Pires de Campos, como conta o diário Folha de São Paulo.

Um vídeo mostra o momento em que os atiradores chegaram à escola de carro:

Antes de invadirem a escola, pelas 9.00, os dois jovens entraram num concessionários de carros, a Jorginho Veículos, nas vizinhanças da escola. Segundo testemunhas citadas pelo O Globo, perguntaram pelo dono do estabelecimento e quando o homem se apresentou, dispararam três vezes. Seguiram depois de carro até ao colégio, a apenas 500 metros.

Segundo a Folha de São Paulo, os atiradores levavam consigo quatro jet loaders - umas peças de plástico usadas como carregadores -, uma arma de calibre .38, uma besta, uma caixa que poderá ser de explosivos e garrafas montadas como coquetéis molotov.

A escola onde aconteceu o ataque oferece ensino básico e médio e um centro de estudos de língua. Segundo o Censo Escolar de 2017, a instituição tem 358 alunos do 6.º ao 9.º ano e 693 estudantes do ensino secundário.

A Folha de São Paulo cita um vizinho da escola, que se identificou como Juliano, que relatou que o atentado aconteceu pouco após o início das aulas no período matutino. "Moro ao lado, vi um tumulto e fui para lá. Cheguei e estava um tumulto, várias crianças saindo correndo ensanguentadas. Um desespero, professor, funcionário, todos correndo", disse Juliano.

Para o local foram acionadas seis unidades de resgate de Corpos de Bombeiros e dois helicópteros águia.

Já segundo o jornal Globo, a polícia encontrou um arco e flecha e garrafas que aparentam ser cocktail molotov. Foi detetada uma mala com fios, que obrigou a ativar a brigada anti-bombas mas que depois se confirmou só ter no seu interior um pacote sem explosivos.

Senador defende uso de armas

O senador Major Olímpio (PSL-SP) defendeu numa reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, que este massacro poderia ter sido evitado se os funcionários da Escola Estadual Raul Brasil usassem armas. "Se tivesse um cidadão com arma regular dentro da escola, professor, servente, um policial militar aposentado, ele poderia ter minimizado o tamanho da tragédia. Vamos, se hipocrisia, chorar os mortos e discutir a legislação, e onde estamos sendo omisso", frisou.

Em declarações à Folha de São Paulo explicou melhor a sua tese: "Para você enfrentar uns demônios armados desses só mesmo com instrumentos semelhantes. Se a legislação no Brasil permitisse o porte de armas, um cidadão de bem na escola, seja um professor ou um servente evitaria a tragédia, impedindo que prosseguissem a marcha da morte deles." Acrescentado: "Eu estava mostrando a hipocrisia do argumento do desarmamento. O Estado brasileiro tem sido omisso, em todas as áreas. Milhões de armas clandestinas circulam pelo Brasil. Pode acontecer a qualquer momento e em qualquer lugar do país [uma tragédia igual]. É uma questão de ânimo e oportunidade para realizar. Hoje, quem quer arma irregular no Brasil não tem dificuldade em obtê-la."

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