As primárias da direita que vão escolher o presidente de França

A sete meses das eleições, nenhuma sondagem coloca um candidato de esquerda na segunda volta e aí, independentemente do adversário, Marine Le Pen sai sempre derrotada

Todas as sondagens sobre as presidenciais francesas do próximo ano afastam da segunda volta qualquer candidato da esquerda. E, apesar de Marine Le Pen, da Frente Nacional, surgir em muitas previsões como vencedora à primeira volta, a extrema-direita acaba derrotada no duelo final. Caso este cenário se comprove (faltam ainda sete meses para as presidenciais), isso significa que as primárias da direita a 20 e 27 de novembro - cuja campanha começou ontem - servem na realidade para escolher quem será o próximo inquilino do Eliseu.

Os responsáveis das primárias validaram ontem sete candidaturas - só o deputado Hervé Mariton, d"Os Republicanos, sai da corrida por não ter apresentado as assinaturas suficientes. Mas, entre os sete nomes que estarão no boletim de voto, há dois favoritos: o antigo primeiro-ministro Alain Juppé e o ex-presidente Nicolas Sarkozy. Numa pesquisa TNS Sofres, divulgada no domingo, ambos surgem empatados na primeira volta com 34%, mas o presidente da Câmara de Bordéus sai vitorioso na segunda volta (45% contra 23%).

Juppé, o mais velho dos candidatos com 71 anos, tem apresentado um discurso de centro e moderado, defendendo uma "direita com contornos humanos", progressista no plano social. Já o principal adversário não hesita em defender ideias normalmente associadas à extrema-direita, procurando captar votos da Frente Nacional. "Se querem tornar-se franceses, falem francês, vivam como franceses e não tentem mudar a forma de vida que tem sido a nossa há vários anos", disse Sarkozy sobre os imigrantes, num comício com apoiantes.

À espera do deslize dos favoritos

Nas primárias há mais cinco candidatos, que não devem contudo ter hipóteses de vencer: o ex-primeiro-ministro François Fillon (9%), o antigo ministro da Agricultura Bruno Le Maire (17%), a ex-candidata à Câmara de Paris Nathalie Kosciusko-Morizet (2,5%), o autarca de Meaux e antigo ministro Jean-François Copé (1%) e o deputado Jean--Frédéric Poisson. Este último é o único que não milita n"Os Republicanos, sendo líder do Partido Cristão-Democrata (criado em 2009).

As primárias podem ser de direita, mas estão abertas a todos os eleitores. Para votar basta que estejam inscritos nos cadernos eleitorais, assinem uma declaração dizendo "partilhar os valores republicanos da direita e do centro" e paguem dois euros por cada uma das voltas. Haverá mais de dez mil urnas de voto instaladas por todo o país. Durante a campanha haverá três debates televisivos, o primeiro no dia 13 de outubro na televisão TF1, na rádio RTL e no jornal Le Figaro dedicado aos "grandes temas que preocupam os franceses", isto é economia e segurança. Segundo a mesma sondagem TNS Sofres, também para a TF1, RTL e Le Figaro, 41% das pessoas interrogados dizem-se interessadas no escrutínio de novembro, mais dois pontos percentuais do que em junho. Além disso, 7% dizem que "vão votar de certeza", o que equivale a 2,9 milhões de eleitores. Uma maior participação (a rondar os 4,9 milhões) favorece na primeira volta Juppé (37%) face a Sarkozy (31%). Mas se menos eleitores forem às urnas (1,7 milhões), então o ex-presidente (37%) é beneficiado em relação ao autarca de Bordéus (30%).

Noutro barómetro, Odoxa, divulgado na terça-feira, mais de um quarto dos inquiridos (28%) disseram que estão a pensar votar nas primárias. Entre estes, 84% dizem que um fator importante para ir às urnas no final de novembro é porque o vencedor terá grandes possibilidades de ser eleito presidente em 2007.

Queda da esquerda

No poder há cinco anos, François Hollande não consegue melhorar a sua popularidade - só 16% dos franceses inquiridos no barómetro para o L"Express e a France Inter o consideram um "bom presidente". Já o primeiro-ministro Manuel Valls consegue a aprovação de 27%, travando um movimento de queda iniciado em novembro.

Em todas as sondagens para as presidenciais, o atual chefe do Estado (que ainda não é oficialmente candidato à reeleição) não consegue passar à segunda volta, ficando até atrás de outros adversários do centro e esquerda.

Em melhor posição do que Hollande ou Valls surge Emmanuel Macron, que se demitiu do Ministério da Economia em agosto para se dedicar ao movimento que fundou uns meses antes, o En Marche! (Em Marcha!). O eventual candidato tem o apoio e a simpatia de 31% dos inquiridos pelo Odoxa.

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