Alemanha entra em confinamento parcial na segunda-feira. "São medidas duras", diz Merkel

Na próxima semana, a Alemanha vai impor mais restrições, com bares e restaurantes encerrados e contactos sociais ainda mais limitados. As escolas e creches mantêm-se, no entanto, abertas. As medidas foram acordadas entre a chanceler Angela Merkel e os líderes dos estados federados.

No dia em que a Alemanha atingiu quase 15 mil novos casos de covid-19, foi acordado um confinamento parcial no país a partir de segunda-feira, 2 de novembro, anunciou hoje a chanceler alemã. Bares e restaurantes encerram, grandes eventos vão novamente ser cancelados, são desaconselhadas as viagens desnecessárias e todas as competições desportivas profissionais vão decorrer sem a presença de público​​​​​."São medidas duras", reconheceu Merkel aos jornalistas.

As novas restrições devem durar pelo menos um mês, vão ser revistas de 15 em 15 dias e foram acordadas entre a chanceler alemã e os 16 líderes dos estados federados durante uma videoconferência realizada esta quarta-feira. Medidas que vão limitar ainda mais os contactos sociais, com reuniões na via pública limitadas a 10 pessoas de duas famílias. Quem pode trabalhar a partir de casa deve fazê-lo e as empresas devem facilitar a transição para o teletrabalho, indica outra das medidas a ser aplicada no próximo mês.

O objetivo é travar a propagação do novo coronavírus e evitar que os hospitais fiquem sobrecarregados. "Devemos agir agora para evitar uma emergência sanitária nacional", disse Angela Merkel, numa altura em que a Europa enfrenta um aumento contínuo de infeções.

A situação "é muito séria", admitiu a chanceler alemã afirmando que a curva epidemiológica, que tem estado em crescimento, tem de ser achatada novamente. Merkel acrescentou que o número de doentes em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) duplicou nos últimos 10 dias e que em alguns casos já não era possível rastrear os contactos e quebrar as cadeias de transmissão. Em 75% dos casos positivos detetados a nível nacional não se sabe a origem da infeção, revelou.

A Alemanha tenta evitar um confinamento generalizado, mantendo escolas e creches abertas, mas também alguns estabelecimentos comerciais vão continuar de portas abertas "enquanto for possível", afirmou a chanceler alemã.

Os restaurantes vão fechar, mas poderão manter a atividade de take-away. Espaços desportivos, como ginásios e piscinas, e culturais, como cinemas e teatros, também vão ter de encerrar.

Merkel pediu para que sejam evitadas viagens desnecessárias e adiantou que os hotéis não vão ter a possibilidade de acomodar pessoas em viagens de turismo.

Pacote de 10 mil milhões para ajudar os setores da economia mais afetados

Merkel fala num "dia difícil", também para os que têm de tomar decisões políticas. "Quero dizer isto porque sabemos o que estamos a fazer as pessoas passar", afirmou.

Estão, no entanto, previstos apoios às empresas atingidas pelas novas medidas, tendo ficado acordado um pacote de emergência que poderá chegar aos 10 mil milhões de euros para ajudar os setores da economia mais afetados pelas novas restrições.

Medidas duras que surgem num dia em que os dados do Instituto Robert Koch (RKI) registaram 14 964 novas infeções, o número mais alto desde o início da pandemia. A Alemanha contabiliza agora 464 239 casos da doença provocada pelo novo coronavírus.

Nas últimas 24 horas, confirmaram-se também mais 85 vítimas mortais para um total de 10 183.

"Podemos dizer que o nosso sistema de saúde pode lidar com o desafio hoje. Mas, se o ritmo das infeções continuar assim, chegaremos ao limite do que pode administrar dentro de algumas semanas", sublinhou Merkel.

O ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, que se mantém em casa em isolamento, depois de ter contraído a doença, disse hoje à rádio pública SWR, que, "se as unidades de cuidados intensivos encherem, já é demasiado tarde", apelando à necessidade de diminuir os contágios.

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