Acusado de intimidação, rebelião e provocação, Mélenchon denuncia "processo político"

Líder da França Insubmissa, de extrema-esquerda, começou esta quinta-feira a ser julgado.

O líder da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, começou esta quinta-feira a ser julgado pelos incidentes que ocorreram durante as buscas à sede do seu partido de extrema-esquerda, em outubro. Acusado de intimidação contra um magistrado, rebelião e provocação, o ex-candidato presidencial tem denunciado nas últimas semanas ser alvo de um "processo político" e feito comparações com o ex-presidente brasileiro, Lula da Silva.

Mélenchon, e outros cinco arguidos (entre eles os deputados Alexis Corbière e Bastien Lachaud e o eurodeputado Manuel Bompard), arriscam uma pena de prisão de até dez anos, uma multa de 150 mil euros e cinco anos de inelegibilidade.

Mélenchon, de 68 anos, foi quarto nas presidenciais de 2012 e de 2017, tendo passado de 11% dos votos para quase 20%. nas legislativas de há dois anos, o seu partido (fundado em fevereiro de 2016), conquistou 17 lugares na Assembleia Nacional francês.

Depois de ter denunciado nos últimos dias ser alvo de um "processo político" e alegar que "não acredita na justiça", Mélenchon respondeu ao juiz que lhe perguntou se aceitava comparecer: "Acho que não tenho escolha, mas sim."

À chegada ao tribunal de Bobigny, nos arredores de Paris, usando a faixa com as cores da bandeira francesa que assinala a sua condição de deputado, Mélenchon ficou em silêncio. Coube ao deputado Corbière, outro dos arguidos, falar: "Tudo isto é fora do normal, desproporcional desde o início, incluindo esta convocatória", afirmou. "Ouviremos os argumentos, que vão deixar claro que desde o início que este processo é político".

Cerca de 50 apoiantes esperavam os arguidos à entrada do tribunal, gritando "resistência, resistência", quando eles chegaram, antes de cantar o hino nacional.

A 16 de outubro de 2018, Mélenchon opôs-se veementemente às buscas realizadas à sede do partido em Paris, como parte da investigação da justiça às contas da sua campanha presidencial de 2017 e às condições de emprego dos assistentes dos eurodeputados. Este processo ainda está na fase de instrução.

Durante as buscas, que também aconteceram em sua casa, o líder do partido efetuou vários vídeos em direto no Facebook, denunciando uma "enorme operação de polícia política". Na sede do partido, as buscas acabaram em confrontos com as autoridades.

Diante das câmaras, Mélenchon apelou aos seus apoiantes que forçassem a porta para entrar no local e lançou um "A República sou eu!". Também empurrou um representante do Ministério Público e um polícia que tentava travá-lo.

Comparação com Lula

Antes do julgamento, quando recebeu na Assembleia da República a ex-presidente brasileira, Dilma Rousseff, Mélenchon disse estar "preocupado". Há umas semanas, quando esteve no Brasil, visitou o ex-presidente Lula da Silva na prisão e fez uma comparação entre a situação de ambos.

Segundo Mélenchon, ambos são vítimas de "lawfare", uma prática de instrumentalização política da justiça para travar a oposição. Uma posição que está em linha com a retórica antissistema, abertamente populista, que aponta o dedo a uma logarquia que é responsável por mexer os cordelinhos.

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