Acidente com comboio que liga Vigo ao Porto faz quatro mortos

O maquinista português é um dos quatro mortos. Há 7 feridos com gravidade e 42 pessoas foram assistidas

Um acidente com um comboio português em O Porriño, na Galiza, fez esta manhã quatro mortos - as vítimas são o maquinista português, um funcionário espanhol da Renfe, um jovem de Vigo de 23 anos e um turista norte-americano, explicou o presidente da CP, Manuel Queiró, na estação ferroviária de O Porriño. Entre os feridos há pelo menos três portugueses, sendo que há sete feridos com alguma gravidade e 42 com ferimentos ligeiros, e as autoridades temem que haja uma quinta vítima mortal, ainda encarcerada.

O comboio, que ligava Vigo ao Porto, tinha saído da cidade galega às 9.02 (8.02 em Portugal) e deveria ter chegado a Campanhã às 10.18. Transportava 69 pessoas, segundo a CP, e descarrilou a cerca de 200 metros da entrada na estação da localidade de O Porriño. A bordo estavam passageiros de várias nacionalidades: portugueses e espanhóis, mas também turistas italianos, coreanos e norte-americanos.

Além dos mortos e dos passageiros feridos com mais gravidade, 42 foram assistidos por causa de ferimentos sem gravidade. O maquinista português é um homem de 45 anos, de Ermesinde, avança o JN. O revisor, um homem de Vigo, é outra das quatro vítimas mortais.

Após o acidente, começam a surgir questões quanto às possíveis causas e até quando à propriedade do comboio. A confirmação de que o comboio era operado pela CP e de que o maquinista era português veio da Renfe (Red Nacional de Ferrocarriles Españoles), segundo o El País, já que este o comboio Celta é um serviço conjunto da Renfe e da CP.

O presidente da CP assegura que o comboio que descarrilou "não é português nem espanhol, mas sim luso-espanhol" e descartou a possibilidade de falha humana ou do comboio. "Nada indica que tenha havido falha humana ou de material circulante", disse Manuel Queiró, referindo que o comboio foi alvo de uma revisão em Espanha e de outra, mais recente, em Portugal.

Também o ministro espanhol Rafael Catalá, em declarações aos jornalistas em O Porriño, salientou que o maquinista tinha todas as certificações para operar o equipamento acidentado e que, "obviamente, estava informado sobre a intervenção que estava a ocorrer na linha". "Era um homem muito qualificado", sublinhou.

Sobre o acidente, o ministro Rafael Catalá adiantou que a linha em causa estava em obras perto da estação de O Porriño, pelo que o comboio teve de ser desviado para "uma linha secundária que obrigava a uma redução de velocidade". Catalá revelou também que o comboio fez uma "grande revisão em maio" e uma revisão de rotina na quinta-feira, no Porto.

Segundo testemunhos citados pelo Faro de Vigo, o comboio começou a descarrilar e chocou contra um pilar da ponte, embatendo depois num poste de eletricidade, pouco antes da entrada na estação de O Porriño, mas não ia depressa. Desconhecem-se, por enquanto, os motivos que estarão na origem do acidente, mas já foi aberta uma investigação.

O comboio Celta, que liga Vigo ao Porto, é um serviço prestado em conjunto pela Renfe e pela CP, desde 2013. Os maquinistas são portugueses e espanhóis, sendo que os portugueses fazem muitas vezes o serviço da tarde, pernoitam na Galiza, e voltam no comboio da manhã, que sai às 9.00 de Vigo, explica o jornal La Voz de Galicia.

Há três anos, outro acidente de comboio na Galiza, em Santiago de Compostela, fez 80 mortos e 147 feridos. Os relatórios da investigação ao acidente de 24 de julho de 2013 indicaram que o comboio seguia a uma velocidade próxima do dobro do limite para o troço em que circulava.

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