"Sou inocente". Médium das celebridades aparece em público após acusações de abuso sexual

Brasileiro João de Deus apareceu em público pela primeira vez desde que foi acusado de abusos sexuais por dez mulheres. Era aguardado por seguidores, que insultaram e agrediram jornalistas.

Foi a primeira vez que João de Deus, o médium brasileiro das celebridades, falou desde que foi acusado de abuso sexual, na semana passada: "Sou inocente, vou provar a minha inocência", disse esta quarta-feira em Abadiânia, no Brasil.

João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, esteve no Centro Espiritual Casa de Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, Goiás, onde recebe pessoas para "consultas espirituais". Foi o primeiro dia de consultas após as denúncias de dez mulheres, que o acusam de abusos sexuais. Era esperado por algumas dezenas de seguidores, que o aplaudiram e chegaram a agredir e a insultar os jornalistas que estavam no local, revela o jornal O Globo .

João de Deus tinha prometido falar à imprensa, mas acabou por passar apenas oito minutos no centro espiritual. Um homem que o acompanhava, e que se apresentou como advogado voluntário do médium, disse que João de Deus corria riscos no local e anunciou para mais tarde uma conferência de imprensa.

Entretanto, o Ministério Público do Estado de Goiás está a estudar interditar o centro espiritual onde João de Deus atende os fiéis, tendo anunciado que irá convocar o médium para prestar depoimento logo que compile os testemunhos das alegadas vítimas. Foi criado um grupo - uma "task-force" - composto por quatro procuradores e dois psicólogos para investigar as denúncias, admitindo as autoridades que pode haver vítimas em todo o Brasil.

O médium, que já teve como clientes Oprah, Naomi Campbell ou Lula da Silva, não era visto desde a passada sexta-feira. No sábado, um programa na TV Globo trouxe a público a denúncia de dez mulheres, que acusam João de Deus de abusos sexuais. Quatro dessas mulheres aceitaram falar durante o programa "Conversa com Bial" e dizem ter sido vítimas do curandeiro desde 2010 - depois da emissão ​​​​​​do programa, outras mulheres terão contactado as autoridades para denunciar casos idênticos.

A coreógrafa holandesa Zahira Lieneke Mous foi a única que aceitou mostrar a cara na televisão e relatou como, depois de ter procurado João de Deus para curar feridas psicológicas causadas por abusos sexuais sofridos no passado, acabou por sofrer novos traumas no gabinete do médium. Zahira afirmou ter presenciado milagres e curas no local, tendo mesmo sido assistente do curandeiro.

Depois de uma primeira visita em que se sentiu "segura em ir sozinha", voltou para uma consulta particular com João de Deus no seu gabinete - "um cenário bem bizarro" -, sendo depois encaminhada para uma casa de banho "enorme", onde cabia um sofá. "Ele abriu a calça, colocou a minha mão no pénis dele e começou a movimentar a minha mão. Estava em choque. Enquanto isso, ele continuava falando da minha família e disse que eu deveria sorrir. Depois, ele se limpou, me levou ao escritório, abriu um armário de pedras preciosas e mandou escolher a que eu mais gostasse", contou Zahira Lieneke Mous.

Dias depois dos primeiros abusos, continuou a coreógrafa holandesa, João de Deus terá repetido o mesmo padrão. Mas dessa vez "ele deu um passo adiante: me penetrou por trás". Os relatos chocantes dados ao jornalista Pedro Bial sucederam-se, todos a denunciar métodos e pormenores gráficos semelhantes.

Numa nota enviada ao programa 'Conversa com Bial', a assessoria de imprensa do médium disse que "apesar de não ter sido informado dos detalhes da reportagem, ele rechaça veementemente qualquer prática imprópria em seus atendimentos". "Há 44 anos, João de Deus atende milhares de pessoas em Abadiânia, praticando o bem por meio de tratamentos espirituais", respondeu ainda a assessoria do curandeiro, que atende cerca de dez mil pessoas por mês, entre elas muitos estrangeiros, como Oprah Winfrey, que entrevistou João de Deus em 2012 e descreveu o encontro como "uma experiência muito forte".

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