Abe mostra em Pearl Harbor solidez da aliança com EUA

Primeiro-ministro japonês visita hoje com Obama o memorial do ataque de há 75 anos. Mas não vai pedir desculpas

A visita do primeiro-ministro japonês a Pearl Harbor está a ser encarada como uma forma de enviar uma mensagem de que a aliança entre Japão e Estados Unidos é sólida e vital. Barack Obama e Shinzo Abe vão estar hoje no memorial do ataque nipónico que em 1941 levou os norte-americanos a entrarem na Segunda Guerra Mundial.

"Nos últimos quatro anos, o presidente Obama e eu temos trabalhado muito em conjunto para desenvolver todas as facetas das relações Japão-EUA e para a paz e prosperidade da região da Ásia-Pacífico e do mundo", declarou Abe no início do mês. "Gostaria de fazer deste encontro no Havai uma oportunidade para resumir os últimos quatro anos e enviar uma mensagem ao mundo sobre o significado ou reforço futuro da nossa aliança", sublinhou.

O encontro de hoje entre os dois líderes ganha também especial significado por se realizar a menos de quatro semanas da tomada de posse de Donald Trump. Antes das eleições, o agora presidente eleito comentou a sua preocupação com a possibilidade do Japão adquirir armas nucleares e começar a exigir mais dinheiro pela presença de tropas americanas no país.

Há pouco mais de um mês, Shinzo Abe tornou-se no primeiro líder estrangeiro a encontrar-se com Donald Trump depois das eleições. Depois do encontro, o primeiro-ministro japonês descreveu Trump como alguém em quem depositava "grande confiança".

"Não só Abe, mas toda a comunidade diplomática no Japão, está desesperada para mandar uma mensagem não só ao mundo, mas ao presidente eleito Trump, de que a aliança EUA-Japão é forte e só pode ficar mais forte", explicou à Reuters Koichi Nakano, professor da Universidade de Sophia, em Tóquio.

"O valor e significado da aliança Japão-EUA é imutável, para o passado, presente e futuro. Este encontro será uma oportunidade significativa para confirmar isso mesmo", deixou bem claro Shinzo Abe numa conferência de imprensa dada no passado dia 5.

Falando ontem em Tóquio, Shinzo Abe garantiu também que com a sua visita de hoje a Pearl Harbor pretende passar a mensagem de que o Japão não voltará a repetir as atrocidades de anteriores guerras. "A aliança entre os Estados Unidos e o Japão é uma com esperança em lidar com variados problemas no mundo", declarou o japonês. "Espero que esta visita seja histórica com os líderes do Japão e os Estados Unidos a visitarem em conjunto Pearl Harbor num sinal de reconciliação", acrescentou.

O encontro de hoje entre Abe e Obama realiza-se 20 dias depois do 75.º aniversário do ataque japonês a Pearl Harbor, episódio que fez os Estados Unidos participarem na Segunda Guerra Mundial e no qual morreram 2403 norte-americanos. Fonte do governo japonês já adiantou que Shinzo Abe não irá pedir desculpas pelo ataque. E que vai na linha da atitude de Obama na sua visita a Hiroxima.

Shinzo Abe não será o primeiro líder de um governo japonês a visitar Pearl Harbor. Esse papel coube a Shigeru Yoshida que, em 1951, parou no Havai numa viagem de regresso a Tóquio, depois de ter assinado em São Francisco um acordo de normalização das relações entre o Japão e os países vencedores da Segunda Guerra Mundial.

A discreta visita a Pearl Harbor foi noticiada pelo Yomiuri Shimbun, tendo Yoshida dito a um jornalista deste diário que a experiência o tinha deixado "comovido".

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