A Malásia não tem homossexuais, segundo o ministro do turismo do país

O número de turistas que a Malásia espera receber pode ter acabado de diminuir, depois das afirmações polémicas do ministro do turismo, Mohammaddin Ketapi. Este afirmou que o país não tem homossexuais e evitou responder se o país é ou não seguro para judeus e homossexuais.

O ministro do turismo da Malásia, Mohamaddin Ketapi negou a existência de homossexuais no país, na ITB Berlin, uma das maiores feiras mundiais dedicadas ao turismo, na passada terça-feira, de acordo com a CNN.

Mohamaddin Ketapi foi questionado durante a feira, sobre como a Malásia recebe a visita de homossexuais. A resposta fez eco: "Não penso que tenhamos nada assim no nosso país". O ministro evitou também responder à pergunta feita pelo jornal Deutsche Welle, sobre se a Malásia é, ou não, um país seguro para homossexuais e judeus.

A atitude do ministro foi condenada mundialmente, por políticos e ativistas da comunidade LGBT. O vice-presidente da oposição da Associação Chinesa da Malásia (MCA), Mah Hang Soon disse que as declarações de Mohamaddin sobre a homossexualidade fizeram da Malásia "uma chacota". Mah defendeu mesmo que o ministro do turismo deveria ter garantido que o país "é seguro e que todos os turistas estão seguros aqui", citando o jornal local The Star.

Uma ativista dos direitos da comunidade LGBT, Thilaga Sulathireh, disse à CNN que os comentários do ministro foram "extravagantes" e "desconectados da realidade", no entanto, não se mostra surpreendida com as declarações, visto muitos políticos terem uma visão discriminatória sobre a homossexualidade, "intencionalmente ou não".

Homossexualidade ilegal é 'prática ocidental'

Em janeiro, o primeiro-ministro do país, Mahathir Mohamad disse que o seu governo não toleraria a homossexualidade, visto ser uma prática "ocidental" e que não pode ser aceite no país. O país também é acusado de ser antissemita por vários países, devido a várias atitudes cometidas pelo governo - em janeiro deste ano, o país tentou banir atletas israelitas de um encontro nacional de natação.

A homossexualidade é considerada ilegal na Malásia, um país do sudeste asiática cuja maioria da população é muçulmana. De acordo com a Secção 377 do Código Penal da Malásia, a homossexualidade é definida como uma "ofensa não natural" e a pena pode chegar a 20 anos de prisão e tortura, além de uma multa. O político Anwar Ibrahim, visto como sucessor do atual primeiro-ministro Mohamad foi preso duas vezes por acusações de sodomia, e os homossexuais são punidos publicamente com chicotadas no estado de Terengganu, que pratica a Sharia.

Em agosto de 2018, vinte homens foram acusados de comportamento ilícito num dos únicos clubes homossexuais de Kuala Lumpur e uma mulher transexual foi atacada numa cidade próxima da capital.

O Departamento de Desenvolvimento Islâmico da Malásia (Jakim) estimou que existem 310.000 pessoas no país que pertencem à comunidade LGBT, embora mais tarde tenha admitido que a quantidade não foi verificada pelo Ministério da Saúde. Em 2015, a Human Rigths Watch, uma organização não-governamental que visa proteger os direitos humanos declarou que "a discriminação contra pessoas lésbicas, gays, bissexuais, e transgéneros é dolorosa na Malásia."

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