A China regista 1.8 milhões de mulheres como "prontas a procriar"

Investigador holandês denuncia existência de base de dados com informações como moradas, estado civil ou números de telefone de mulheres. Esta terá entretanto sido apagada.

Uma base de dados aberta na China que contém informações pessoais de mais de 1.8 milhões de mulheres, incluindo os seus números de telemóvel, moradas, idades e um estatuto de "prontas a procriar". Esta foi a descoberta feita por Victor Gevers, investigador holandês da organização sem fins lucrativos, GDI Foundation, que tropeçou nesta base de dados e a divulgou nas suas redes sociais durante o fim de semana. Essa base de dados terá entretanto sido apagada já esta segunda-feira, segundo Gevers.

"Na China há falta de mulheres. Então uma organização começou a construir uma base de dados para começar a registar mais de 1,8 milhões de mulheres com todos os tipos de detalhes, como números de telefones, moradas, educação, localização, estado civil, e um estatuto de 'pronta a procriar'?", escreveu Gevers no Twitter.

A base de dados chinesa estava dividida em secções com nomes em inglês para sexo, idade, educação, estado civil, assim como uma coluna inteira de "prontas a procriar", o que pode ser apenas uma má tradução para o inglês numa tentativa de identificar se uma mulher tem filhos, segundo vários analistas.

Defensores dos Direitos Humanos denunciam uma violação alarmante dos direitos humanos.

A China, nação mais populosa do mundo com 1400 milhões de habitantes, aboliu em janeiro de 2016 a política do filho único, pondo fim a um rígido controlo da natalidade que durava desde 1980. Em 2018, o número de nascimentos terá sido de 15 milhões, menos dois milhões em 2017, deixando adivinhar uma grave crise demográfica no futuro, apesar da abolição da política do filho único.

Segundo especialistas, a queda deve-se sobretudo à redução no número de mulheres em idade fértil, um grupo que perde entre cinco e seis milhões de pessoas por ano, e aos altos custos e falta de tempo para criar uma criança.

Não está claro se a base de dados se trata de um registo governamental ou de uma organização ou empresa privada. "Mais que isto, não temos de momento. A nossa principal preocupação é que este servidor fique seguro o quanto antes," disse Gevers ao jornal britânico The Guardian.

A idade média das mulheres na base de dados era de 32 anos, com as mais jovens a terem apenas 15 anos, acrescentou ainda o investigador holandês. Quase 90% das mulheres eram descritas como solteiras e 82% como vivendo em Pequim.

A base de dados também incluía hiperligações para os seus perfis de Facebook, rede social que está oficialmente bloqueada na China e que só pode ser acedida através de redes privadas. Victor Gevers adiantou que, em conjunto com colegas, estava a tentar contactar as mulheres que tinham os perfis de Facebook na base de dados, para saber se estavam cientes da existência do mesmo ou se tinham autorizado esse tipo de informações.

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