47% dos eleitores britânicos concordam com adiamento do Brexit

Sondagem Politico-Hanbury questionou 2006 pessoas sobre os vários cenários da saída do Reino Unido da União Europeia

Os britânicos aceitam uma extensão do artigo 50º do Tratado de Lisboa e um adiamento do Brexit, mas apenas se este for de curta duração. A conclusão é de uma sondagem Politico-Hanbury, efetuada entre 22 e 25 de fevereiro, que ouviu 2006 pessoas.

Na sondagem publicada no site do Politico, 47% dos inquiridos dizem apoiar atrasar o Brexit se não houver acordo, face a 26% que se opõem a esse cenário. 27% dizem-se indecisos.

Mas esse adiamento perde apoio se durar muito tempo. Se 47,6% consideram "aceitável" adiar a saída do Reino Unido da União Europeia durante um mês, essa percentagem cai para 42,1% se o adiamento chegar aos três meses e para 33,3% se for de seis meses. Este último cenário é considerado inaceitável por 47,9%, enquanto os restantes dizem não saber, subindo para 59,7% no caso de o Brexit ser adiado dois anos.

Os inquiridos consideram ainda que os deputados que querem uma extensão do artigo 50 do Tratado de Lisboa só querem adiar o Brexit para continuar na União Europeia (44,5%). Apenas 32,6% acreditam que estejam a tentar encontrar a melhor solução para conseguir o Brexit.

Questionados sobre os argumentos que consideram adequados para proceder a esse adiamento, 47% dos inquiridos dizem que este poderá ser usado para permitir ao governo aprovar as leis necessárias no Parlamento, 44,6% permitir aos eleitores voltarem a expressar as suas ideias nas urnas (quer através de um segundo referendo ou de eleições gerais) e 43,2% para evitar um Brexit sem acordo.

Cenário mais provável

Na sondagem, quando questionados qual será o cenário mais provável no dia 30 de março -- um dia depois da data marcada para o Brexit - 34,7% dos inquiridos diz que o Reino Unido terá adiado a sua saída da União Europeia, frente a 29% que acreditam que terá saído sem acordo e 17,2% que o terá feito com um acordo.

Sobre o cenário que preferiam, 31,5% dos inquiridos refere que seria continuar na União Europeia, frente a 21,6% que aceitariam sair sem acordo e 16,4% que preferem o acordo negociado pelo governo de May. Nesta pergunta, só 15,6% defendem adiar o Brexit para negociar um acordo diferente.

O atual acordo conta com o apoio de 30,4% dos inquiridos, com 37,4% a defender que os deputados não o devem aprovar (e 32,2% indecisos). Se houve uma mudança ao chamado backstop, o mecanismo de salvaguarda destinado a evitar uma fronteira física entre Irlanda do Norte e República da Irlanda, então 36,8% dizem que deve ser aprovado e 26,5% dizem que "não". Há ainda 36,7% de indecisos.

Em relação a uma eventual segunda rejeição do acordo de May e ao que deve acontecer a seguir, 27,6% defendem sair da União Europeia sem acordo, enquanto 16,5% optam por um segundo referendo sobre o Brexit e os mesmos 16,5% dizem querer ficar na UE. 15,4% propõem realizar eleições antecipadas e só 8,4% acreditam que deve haver uma consulta popular sobre se deve ser aceite o acordo do Governo ou se o Brexit deve acontecer sem acordo.

Sobre uma saída sem acordo, 39,6% defendem que o governo não deverá afastar esse cenário (como defendem alguns deputados), contra 36,2% que acham que May o devia fazer. 24,2% não sabem.

O líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, defende que o Reino Unido deve aceitar permanecer numa união aduaneira com a União Europeia. Sobre essa proposta, 36,7% dos inquiridos concordam, frente a 30,2% que dizem que não e 33,1% que não sabem.

Os inquiridos criticam ainda a posição da União Europeia em relação à rejeição de reabrir as negociações sobre o Acordo de Saída, com 44,6% a dizer que essa posição é errada, frente a 27,3% a dizer que é correta.

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