Choupette: a gata herdeira de Lagerfeld

Em 2011, o esfíngico Karl Lagerfeld surpreendeu o mundo da moda com a adoção de Choupette, uma gata sagrada da Birmânia. Rodeada de amor e cuidados dignos de uma infanta, o fotogénico animal tornar-se-ia uma mais valia para a marca do seu tutor e uma autêntica estrela fashion.

Fosse Choupette uma mulher e não faltariam candidatos à sua mão. Mas tendo pata, a gata sagrada da Birmânia, de pelo branco, aqui e ali com nuances claras de castanho, e olhos azuis, tornou-se em 2019 o animal mais invejado do mundo. Isto porque o testamento do seu tutor, o designer de moda Karl Lagerfeld (1933-2019), destinou parte substancial da sua fortuna ao conforto e mordomias de Choupette: Uma extravagância que a lei francesa permite, mas que em Portugal, como noutros países, seria completamente impossível.

Hoje com 9 anos (o que equivale aos 50 e tantos de Linda Evangelista e Claudia Schiffer), a beldade felina, ao contrário das outras, não se "permite" viver dos rendimentos, languidamente estendida na almofada preferida. O seu agente, Lucas Bérullier, trata de a manter na ribalta das influencers, gerindo uma conta deTwitter, outra de instagram e a associação do seu nome a acessórios de moda e a produtos de maquilhagem. Tudo bon chic, bon genre.

Conhecido no mundo da moda por "kaiser", o designer alemão Karl Lagerfeld parecia ser o último homem à face da terra capaz de se dedicar de alma e coração a um pequeno animal de companhia. Mas, no natal de 2011, o modelo Baptiste Giabiconi pediu-lhe que tomasse conta da sua gatinha bebé durante umas férias. Um pouco a contragosto, Lagerfeld anuiu. Em breve, estava rendido aos encantos da criatura, como o próprio contaria mais tarde numa entrevista à revista Numèro: "Achei-a tão irresistível que quando Baptiste voltou, tive de lhe dizer que ia ficar com ela." E se Choupette afiasse as unhas no seu sofá Zaha Hadid? - perguntava o jornalista. "De um modo geral, ela é muito bem-comportada, mas, se o fizer, perdoar-lhe-ei, claro."

Com o sentido de marketing próprio de quem triunfou na "selva" da Alta Costura parisiense, Lagerfeld pôs o amor a render. Em junho de 2012, Choupette passou a ter uma conta Twitter, coordenada por Ashley Tschudin. O sucesso foi gigantesco e teve um efeito multiplicador tanto nas redes sociais como na imprensa de moda. Em breve, o animal apareceria nas capas de revistas como a Grazia UK, Harper"s Bazaar USA ou Madame Figaro.

Em setembro de 2012, surgiria, num editorial de moda da revista V (no número de setembro, o mais importante do ano em termos de calendário de moda), fotografada pelo próprio Lagerfeld, ao colo de uma Laetitia Casta atónita ao ver o animal rodeado pela atenção constante de duas amas. A experiência seria renovada meses depois, na Vogue alemã, pertencendo o colo, desta feita, a Linda Evangelista. "Conhecem o quadro de Velásquez, Las Meninas? - dizia Lagerfeld numa entrevista à Harper"s Bazaar, em 2014 - É assim que vejo a Choupette, como uma infanta de Espanha, rodeada de atenções. É um ser muito especial."

Protagonista de livros, curtas-metragens de animação e campanhas publicitárias, a bela herdeira tem hoje uma conta de instagram (#choupetteofficiel) com mais seguidores do que muitas "estrelas" da música pop. Aí revela a singeleza dos seus gostos: A coleira das pulgas pode ser Chanel, o patê até pode incluir pedaços de autêntico caviar, mas se Choupette escolhe um brinquedo, a preferência recairá invariavelmente numa vulgar caixa de cartão. Como os nossos gatos sem Instagram nem conta bancária.

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