Boris Johnson tem de propor comissário, Macron indica ex-ministro das Finanças

A futura presidente da Comissão avisou o governante britânico que terá de nomear um comissário. Paris propõe o administrador da tecnológica Atos e antigo ministro Thierry Breton. Uma escolha que não está isenta de conflitos de interesse.

Ursula von der Leyen, a alemã que vai suceder a Jean-Claude Juncker na presidência da Comissão Europeia, disse ao primeiro-ministro britânico Boris Johnson que este terá de indicar um candidato a comissário europeu caso o Brexit volte a ser adiado. Para o supercargo da Indústria, Mercado Interno, Defesa, Digital, Espaço e Cultura, a França propôs o administrador executivo da empresa tecnológica Atos, Thierry Breton, anunciou o Eliseu. A primeira escolha de Emmanuel Macron foi rejeitada pelos eurodeputados.

"É possível que haja uma extensão e o Reino Unido vai permanecer na UE. Por isso, é claro que eu vou pedir ao Reino Unido para enviar um comissário", disse Von der Leyen aos jornalistas.

Thierry Breton, de 64 anos, foi ministro das Finanças de França durante a presidência de Jacques Chirac e é o administrador da Atos desde 2009, tendo antes chefiado a Thomson e a France Télécom.

"Ele é um homem de ação que conhece as questões industriais de dentro para fora e que, embora conheça as instituições de Bruxelas, não terá uma abordagem burocrática para as questões europeias, o que é importante para o presidente", disse um funcionário do Eliseu à Reuters. O líder francês, que quer preservar a enorme pasta que negociou com Ursula Von der Leyen, pretende sair do que apelidou de "crise política" e pediu-lhe garantias de que a nova candidata seria aprovada. A escolha de Breton foi "discutida e acertada" com von der Leyen disse outra fonte do Eliseu ao Le Monde .

"O presidente queria sair de uma abordagem burocrática. Esta nomeação é uma garantia de ter alguém no terreno, na acção, na gestão dos projectos, e não na gestão burocrática da Europa", explica o Eliseu ao vespertino francês. "Acima de tudo, deve permitir à França, se Breton for confirmado pelo Parlamento Europeu, conservar a totalidade da pasta, um objetivo de Macron desde o início."

Há duas semanas, os eurodeputados rejeitaram Sylvie Goulard, a primeira escolha de Macron. Cada Estado-membro da UE (exceto o país de origem do presidente da Comissão) nomeia um candidato à Comissão, que deve passar por uma audiência de confirmação no Parlamento Europeu.

Breton é considerado um homem com um perfil híbrido, entre os negócios e a política. Conservador, Breton apoiou Macron durante a campanha eleitoral de 2017, ainda antes da primeira volta das eleições presidenciais.

A escolha de um conservador europeísta deve ajudar a que a nomeação agrade ao Partido Popular Europeu. No entanto, escreve o Le Monde, o nome de Thierry Breton pode vir a ser contestado nas audições parlamentares devido a possíveis conflitos de interesses, exatamente o que impediu a confirmação da eurodeputada Goulard como comissária.

O Eliseu disse que Breton recusou ser ministro sempre que os assuntos relativos às empresas com quem trabalhava coincidiram com a agenda do governo e que terá o mesmo comportamento nas novas funções para evitar qualquer conflito de interesses.

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