Um jogo tem 90 minutos, divididos em duas partes de 45 e eventuais mais duas de 15 de prolongamento. Muitas partidas são decididas num segundo. E faltam de hoje, 22 de maio, até ao pontapé de saída do encontro inaugural cerca de 480 horas… Futebol e tempo têm tudo a ver. E, por isso, as principais marcas de relógios apostam forte no Mundial de Canadá, Estados Unidos e México dos próximos meses de junho e julho.Por falar em México, a Hublot, que tem receita anual em torno de 670 milhões de francos suíços (equivalente a cerca 735 milhões de euros), apresentou no início de maio o Classic Fusion Chronograph SNM Titanium, uma edição limitada de 100 peças com o logótipo da seleção mexicana no mostrador e no fundo da caixa, e uma pulseira feita de material derivado de cacto. Julien Tornare, CEO da Hublot, afirma, em conversa com o Financial Times, que a marca tem uma presença “muito forte” no México, que por sua vez possui uma “forte cultura” de futebol, logo “não poderia deixar de ativar essa parceria de uma forma especial”.A marca, que também lançou uma edição limitada do Big Bang Reloaded, em colaboração com o jogador francês Kylian Mbappé, e um novo relógio oficial para a seleção japonesa nos últimos meses, além de ter sido a cronometrista oficial dos Mundial de 2022, 2018, 2014 e 2010 e ainda ser a da Liga dos Campeões, é acompanhada por concorrentes. A Norqain vai dar de presente um novo modelo aos 26 jogadores suíços selecionados, na qualidade de parceira oficial de licenciamento de relógios da seleção do país que é sinónimo de relojoaria. A IWC, por sua vez, patrocina três selecionadores: o argentino Mauricio Pochettino, dos EUA, o alemão Julian Nagelsmann, da Mannschaft, e o espanhol Luis de la Fuente, da La Roja. “O trio é fã da marca”, diz Franziska Gsell Etterlin, diretora de marketing da empresa. “Somos os engenheiros da relojoaria e interessamo-nos pela liderança de uma equipa”.Já o tecnicamente complexo RM 41-01 Tourbillon Soccer, da Richard Mille, lançado em fevereiro após cinco anos de desenvolvimento, aposta nos adeptos: acompanha as duas partes do jogo e acrescenta estatísticas. “É um relógio para quem ama máquinas incríveis ou maravilhas, como as chamamos”, diz Alexandre Mille, diretor comercial da marca. “Tecnicamente, está entre os três relógios mais difíceis que já desenvolvemos e produzimos, é uma loucura”, acrescenta.Apesar do Mundial estar envolvido em controvérsias, como os altos preços dos bilhetes, a política de imigração da administração de Donald Trump, a guerra no Irão e a violência dos cartéis no México, as grandes marcas de relógios, embora não o patrocinem oficialmente, sentem que não se podem dissociar do evento. Afinal, os EUA continuam a ser o maior mercado para os fabricantes de relógios suíços, com uma participação de 18,9% do valor total das exportações em março, segundo a Federação da Indústria Relojoeira Suíça, e para a marca britânica Christopher Ward. No Canadá, diz ainda o jornal britânico FT, as exportações de relógios suíços caíram 3,9% em março de 2026 por comparação com o registo do mesmo mês de 2025, mas no México, considerado em estudo da Deloitte um mercado em crescimento, aumentou 16,4%. O Mundial começa, pontualmente, às 12 horas de 11 de junho com duelo entre México e África do Sul.Mais números735 milhões de euros de receita anual da Hublot, uma das marcas suíças que mais investe em futebol.100. Número de peças da edição limitada do Classic Fusion, da Hublot, para a seleção do México.16,4. Percentagem de crescimento das vendas de relógios no México, um dos co-organizadores. EUA ainda é o maior mercado mundial, Canadá apresenta leve queda.