Stellantis tem plano de crescimento que vale 20% do PIB português 

Stellantis tem plano de crescimento que vale 20% do PIB português 

O plano, denominado de “FaSTLane 2030”, implica o lançamento de 60 novos veículos, a par de 50 renovações significativas e inclui-se aqui todas as marcas e todas as energias de motorização.
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O plano estratégico quinquenal da Stellantis, o grupo francês que detém marcas como a Peugeot, Fiat, Opel, Jeep, entre outras, envolve 60 mil milhões de euros, o equivalente a 20% do produto nacional. 

Denominado de “FaSTLane 2030”, o plano implica o lançamento de 60 novos veículos, a par de 50 renovações significativas e inclui-se aqui todas as marcas e todas as energias de motorização. Isto significa que haverá novidades ainda em 29 veículos elétricos a bateria, em 15 veículos híbridos Plug-in ou com autonomia alargada, em 24 veículos híbridos elétricos e em 39 veículos elétricos a combustão mild/hybrid. Refere o plano que o grupo tem quatro marcas globais e de maior escala e que são a Jeep, a Ram, a Peugeot e a Fiat, sendo que são consideradas plataformas naturais de lançamento para todos os novos ativos a nível global e 70% dos investimentos serão direcionados para estas marcas. 

Neste pacote de investimento ainda está incluído a Pro One, a unidade de negócios de veículos comerciais do grupo Stellantis. Existem ainda cinco marcas que são consideradas regionais, a Chrysler, a Dodge, a Citroen, a Opel e a Alfa Romeo, sendo que a DS e a Lancia são consideradas marcas históricas e com grande impacto em França e Itália, e serão geridas pela Citroen e pela Fiat como marcas especializadas. Por último, temos a marca de luxo Maserati e que permitirá o lançamento de dois novos modelos do segmento E. 

O grupo liderado por Antonio Filosa (e que já teve como CEO o português Carlos Tavares), irá dividir o pacote de investimento de forma transversal com a 40%, ou seja, 24 mil milhões de euros, a serem canalizados para I&D e Capex em plataformas globais, motorizações e novas tecnologias. O plano refere que até 2030, cerca de metade dos volumes anuais de produção serão realizados sobre três plataformas globais, e onde se inclui a nova plataforma STLA One.

A nível de multienergias para as várias motorizações, refere o relatório que haverá novos híbridos, novos veículos elétricos a bateria e novos motores de combustão interna. O grupo definiu que a chamada tecnologia “feita para humanos” terá de melhorar o “quotidiano” dos clientes e, por isso, a inteligência artificial será incorporada ao longo de todo o processo de produção.

Relevante será o desenvolvimento de novas tecnologias em colaboração com parceiros. As várias tecnologias propostas serão lançadas até 2027, e até 2035 o volume de produção com as novas tecnologias terá um peso de 70% do total dos veículos saídos das linhas de produção da Stellantis. As tecnologias incluem a STLA Brain, ou seja, uma arquitetura central escalável de computação e software da Stellantis; a STLA SmartCockpit que irá definir uma nova forma de os clientes interagirem com os seus veículos; e o STLA AutoDrive, o sistema de condução autónoma escalável da companhia. 

Parcerias 

Entre as parcerias destacam-se a da chinesa Leapmotor e em que o plano passa pela cooperação industrial, e que começará pela partilha da capacidade produção nas fábricas de Madrid e Saragoça, em Espanha. Outra parceria a incrementar será também com a chinesa Dongfeng, e que incluirá a produção na China de dois modelos Peugeot e dois modelos Jeep. Estas unidades serão comercializadas essencialmente na China. A Stellantis quer ainda criar uma joint venture europeia com a Dongfeng, detida a 51% pela Stellantis, para trabalhar a distribuição, engenharia e aprovisionamento e que arrancará com os novos planos para a fábrica de Rennes, em França. 

Outra parceria será com a indiana Tata, que visa reforçar a competitividade na Ásia-Pacífico, Médio Oriente, África e América do Sul. A parceria com a Jaguar Land Rover visa desenvolver produtos e tecnologias nos EUA. 

Relevantes são ainda as parcerias nos domínios da arquitetura computacional, software, ADAS, IA e tecnologia de baterias com a Applied Intuition, a Qualcomm, A Wayne, a Nvidia, a Uber, a Mistrla AI e a CATL. 

Menos produção na Europa e mais nos EUA 

O plano FaSTLane 2030 prevê aumentar a utilização das capacidades da empresa em todas as regiões, mas é esperado uma redução da capacidade em mais de 800 mil unidades na Europa, reaproveitando fábricas como a de Poissy, em França, e parcerias em Espanha e França, como já referimos. Com esta estratégia a Stellantis espera aumentar a capacidade produtiva de 60% para 80% em 2030. Nos EUA a capacidade irá igualmente aumentar até 2030 para os 80%, e no Médio Oriente e África a capacidade produtiva aumentará para o máximo. 

Mas o plano do grupo francês tem ainda outros objetivos ambiciosos como seja a redução de tempo no desenvolvimento dos veículos e que hoje, em média, demora 40 meses e que passará para 24 meses. Por outro lado, é esperada uma redução de custos em termos anualizados da ordem dos 6 mil milhões de euros até 2028, sendo que a IA será o fator chave da transformação. 

Considerado um negócio regional, a produção automóvel tem objetivos regionais específicos, com a América do Norte a ter como target um aumento de 25% nas receitas e uma margem AOI de 8% a 10% (margem operacional de custos ajustados). Neste mercado está previsto o lançamento de 11 veículos novos, sendo que sete produtos estarão com um preço abaixo dos 40 mil US dólares, e dois veículos ficarão com um preço abaixo dos 30 mil US dólares. A América do Norte receberá 60% dos 36 mil milhões de euros que está previsto investir em marcas e produtos.  

Na Europa o objetivo é um crescimento das receitas em 15% e uma margem AOI de 3% a 5%, expandindo a oferta no segmento C e a introdução do E-Car, uma nova geração de veículos elétricos para cidade. Na América do Sul a perspetiva é de um 

crescimento da receita em 10% e uma margem AOI de 8% a 10%, consolidando a liderança no Brasil e Argentina. Haverá novas pickups para este mercado. No Médio Oriente e África o crescimento das receitas no período deverá situar-se nos 40% e um AOI de 10% a 12%.  

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