Primeiro-ministro disse que o Governo “vai esgotar todas as possibilidades” de aprovação do Orçamento.
Primeiro-ministro disse que o Governo “vai esgotar todas as possibilidades” de aprovação do Orçamento.António Cotrim / Lusa

Montenegro acusado por PS e Chega de querer eleições

“Reuniões discretas” com líderes do Chega e da Iniciativa Liberal não calam críticas de André Ventura. Pedro Nuno Santos ataca “reuniões secretas”.
Publicado a
Atualizado a

Os líderes do PS e do Chega, únicos partidos da oposição que, por si só, assegurariam a viabilização do Orçamento do Estado para 2025 (OE2025), convergiram nesta segunda-feira na acusação de que o Governo pretende provocar eleições antecipadas. Apesar do otimismo do Presidente da República - que reafirmou a crença na aprovação -, das negociações que Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos agendaram para a tarde de sexta-feira, e das reuniões do primeiro-ministro com André Ventura e Rui Rocha, presidente da Iniciativa Liberal (IL).

Um dia após o Governo e o PS travarem uma guerra de comunicados sobre as dificuldades de agendarem a discussão do OE2025, Montenegro recebeu nesta segunda-feira os líderes do Chega e da IL, sem qualquer anúncio prévio. Isso levou Pedro Nuno Santos a referir que o PS nunca fará reuniões secretas com o Governo, ao que o gabinete do primeiro-ministro respondeu, numa nota, que tal coisa não existe na Residência Oficial, descrevendo o sucedido como “encontros com entidades e personalidades de várias áreas, incluindo líderes políticos, sobre temas de interesse nacional, que ocorrem muitas vezes com discrição e sem a presença da comunicação social”.

Depois do encontro, Ventura disse que “o Governo quer provocar eleições para sair delas mais forte e sem precisar de negociar com a oposição”, qualificando de “espetáculo deprimente” o que tem sucedido. E acrescentou que o Chega “só poderia evitar eleições, mesmo contra tudo o que acredita e mesmo tendo sido espezinhado completamente, se votar a favor” do Orçamento.

Já Pedro Nuno Santos defendeu que “a conclusão que se pode retirar de um conjunto de declarações e ações por parte do Governo é que não está interessado nem em negociar, nem em criar  um bom ambiente negocial”. E que “toda a ação do Governo parece indiciar a vontade de provocar eleições antecipadas”.

Apesar disso, Montenegro garantiu que o Governo “vai esgotar de forma paciente, empenhada, aberta e dialogante, todas as possibilidades para que na Assembleia da República a proposta de OE não seja inviabilizada”. Entre os maiores pontos de discórdia estão medidas como a criação do IRS Jovem e a redução do IRC.

Diário de Notícias
www.dn.pt