Viagens e apostas. A nova aventura do jornal The Sun

Para assegurar "um futuro sustentável a longo prazo", o jornal vai passar a funcionar como empresa de apostas e operador de agências de viagens, além de produzir notícias

Depois de o The Independent ter decidido acabar com a edição impressa, passando a publicar exclusivamente online, chegou a vez de o The Sun tentar inverter a crise instalada na indústria. Mas a publicação decidiu reinventar-se de uma forma diferente. A receita para "um futuro sustentável e a longo prazo" não vai passar por tirar o jornal das bancas e sim acumular serviços. Além de continuar a produzir notícias, o The Sun vai passar a funcionar também como empresa de apostas e fazer um maior investimento no seu papel de operador turístico.

Na conferência Newsworks, que se realizou em Londres, Reino Unido, Tony Gallagher revelou que no futuro todos os jornais terão de ter "outras fontes de receita" além das notícias. "[O futuro] já não passará apenas pelo que vendemos em banca, passa pela publicidade e se quisermos ter um futuro a longo prazo... teremos todos de olhar para os nossos pontos fortes e encontrar outras áreas onde podemos trabalhar e ser bem-sucedidos para que tenhamos um futuro sustentável a longo prazo", salientou o diretor do The Sun.

Notícias, apostas e viagens vão passar a ser os vértices do triângulo empresarial da publicação. No início da próxima época futebolística da Liga Inglesa, o The Sun fará uma parceira com a casa de apostas australiana Tabcorp para lançar Sun Bets - apostas do Sun, em tradução livre. "Existem 14 milhões de pessoas no Reino Unido que fazem apostas e cerca de 55 por cento delas são leitores habituais do The Sun. Pensámos que este seria um mercado muito interessante para nós", justificou Tony Gallagher, citado pelo jornal The Independent.

Já trabalhar como operador de agência de viagens não é propriamente uma novidade para o tabloide britânico, que pretende agora investir ainda mais nesta área de negócio. Tony Gallagher frisou no decorrer do seu discurso que o The Sun já se encontra entre "os operadores turísticos de curta duração mais importantes do Reino Unido". "Quatro milhões de leitores já foram de férias por nossa cortesia nos últimos cinco anos."

E se o investimento do The Sun passa por estas duas áreas, além da informação, em novembro último a direção deste tabloide britânico decidiu voltar atrás e deixou de cobrar pelo acesso ao seu site. "Tornou-se óbvio para mim e para a Rebekah Brooks [editora executiva], quando ela regressou à publicação, que o site pago não obteve o sucesso que a empresa esperava inicialmente", admitiu o responsável. "Havia um pequeno grupo de leitores fiéis que estavam dispostos a pagar, mas a empresa decidiu que queria um maior alcance [de leitores]. Então decidimos que era melhor terminar com o paywall", reforçou.

Para conquistar o público jovem, a estratégia vai ser outra. De acordo com o The Guardian, Tony Gal-lagher desvendou que o jornal que dirige se prepara para lançar um canal na plataforma móvel Snapchat Discover. "Queremos garantir que a nossa marca é distribuída de forma mais ampla possível, pelo que vamos estar presentes no Snapchat no prazo máximo de dois meses", garantiu o diretor do The Sun, que aproveitou para elogiar o estilo "irreverente" desta plataforma que conta atualmente com mais de cem milhões de utilizadores.

Ainda segundo o The Guardian, o lançamento deste canal pode acontecer já durante este mês de março.