Sexo, drogas e rock n'roll. 'Vinyl' traz de volta a loucura dos anos 1970

Série idealizada por Mick Jagger estreia-se de domingo para segunda no TV Séries. Protagonista e produtores revelam pormenores.

Se sempre sonhou viver (ou reviver) a época do sexo, drogas e rock"n"roll, agora já nada o impede. Vinyl é o seu passaporte para a Nova Iorque dos anos 1970 e Mick Jagger é o guia de serviço. Foi o lendário vocalista da banda Rolling Stones que fez nascer a trama, com estreia mundial no TV Séries, de domingo para segunda, às 02.00. E ao volante vai um outro peso-pesado: Martin Scorsese.

"Passou muito tempo desde que discutimos a ideia pela primeira vez. Íamo-nos juntando de anos a anos, esteve sempre a mudar de forma. Passou de um filme para um filme épico, para uma série", começa por explicar o premiado realizador, em declarações obtidas, em exclusivo, pelo DN.

No centro da ação está Richie Finestra, um empresário musical em vias de perder a sua editora discográfica para mãos mais endinheiradas. Descobrir o próximo grande sucesso é a sua única salvação. "É a história de um rei com um reino. O reino está a desmoronar-se e toda a gente quer um pedaço. Acho que qualquer pessoa bem-sucedida se torna preguiçosa a dada altura. É nesse ponto que encontramos o Richie: está sóbrio há alguns anos, tem casa, filhos, carros, mas está a adormecer ao volante", explica-nos Bobby Cannavale, que dá vida ao protagonista.

O ator de 45 anos foi atraído para Vinyl pelo produtor Terence Winter, com quem já trabalhou em Boardwalk Empire. Tanto um como outro reconhecem o privilégio que é trabalhar com Mick Jagger. "Não há nada que se possa dizer que ele ainda não tenha ouvido. Não há nada que se possa fazer que o possa surpreender. Comecei a observar como é que as pessoas se comportam ao lado dele e a forma como é tratado. Foi uma perspetiva única para construir esta personagem", revela Cannavale.

Para Terry Winter, que assina a história juntamente com Scorsese, o front man daquela que é considerada uma das maiores bandas de todos os tempos foi absolutamente imprescindível em todo o processo. "O Jagger viveu essa época e esteve em palco quando tudo aconteceu, por isso é um grande recurso que nos mantém fiéis à música e à forma como os artistas lidam com as editoras."

Um dos principais contributos de Jagger, frisa o produtor, foi mostrar como um vocalista se prepara para um espetáculo. "É como um atleta a preparar-se para um jogo. O que todas as pessoas veem são as groupies e as festas, mas entretanto o vocalista bebe chá e a certifica-se de que não fala muito. É trabalho, é o mundo do espetáculo, é negócio."

Nova Iorque: um "Oeste selvagem"

Vinyl faz um retrato fiel da Nova Iorque dos anos 1970. Nas últimas décadas, diz o braço direito de Scorsese, Terry Winter, a cidade mudou "radicalmente". "Era muito diferente do que é hoje. Era como o Oeste selvagem. A taxa de crimes era terrível. Não tenho saudades de ter de olhar por cima do ombro a cada cinco minutos. Eu prefiro esta versão." E mais: "Nos anos 1970, as pessoas escreviam músicas de protesto sobre a Guerra do Vietname e os jovens estavam envolvidos na política. Agora, os mais novos não sabem dizer quem é o vice--presidente dos EUA. É muito triste. A pouco e pouco, distraímo-nos completamente com as Kardashians", lamenta o argumentista de Os Sopranos. O primeiro episódio da série recua até 1973. E porquê esse ano, especificamente? "Foi o ano em que o punk, o disco e o hip hop foram todos inventados num espaço de seis meses. E foi aí que os New York Dolls abriram caminho às primeiras bandas punk - a televisão e os Ramones chegaram cerca de oito meses depois. Foi um período de tempo muito interessante e fértil para a música e isso era irresistível", explica Terence Winter.

Novos episódios de Vinyl serão exibidos pelo TV Séries às segundas-feiras, pelas 22.45.

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