"Se jornalismo fizer bom jornalismo sobre ele próprio fica credibilizado", diz Pedro Tadeu

Os jornalistas Pedro Tadeu e João Tomé (Dinheiro Vivo) foram ouvidos no parlamento sobre a existência de anúncios dirigidos a jornalistas visando contratá-los para a elaboração de notícias e reportagens tendenciosas sobre a covid-19.

O jornalista Pedro Tadeu defendeu esta terça-feira que "se o jornalismo fizer bom jornalismo sobre ele próprio fica credibilizado", na sequência da existência de anúncios dirigidos a profissionais para elaborar notícias tendenciosas sobre a pandemia.

Os jornalistas Pedro Tadeu e João Tomé (Dinheiro Vivo) foram hoje ouvidos em audição conjunta das comissões parlamentares de Cultura e Comunicação e de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias) sobre a existência de anúncios dirigidos a jornalistas detentores de carteira profissional visando contratá-los para a elaboração de notícias e reportagens tendenciosas sobre a pandemia de covid-19.

"Acho que temos condições para perceber se isto é um caso realmente grave ou não e fazer notícia disto", acrescentou Pedro Tadeu.

O tema passou para a ordem do dia na sequência do seu artigo de opinião publicado no Diário de Notícias "O jornalismo sobre a covid-19 é corrupto?".

Durante a audição, Pedro Tadeu explicou como é que surgiu o artigo, referindo os seus contactos com o "jornalista um" e o "jornalista dois" sobre o anúncio, avançando que tinha agora um "facto novo" que apontava para um "nome concreto" de quem estaria por trás daquela contratação.

"O jornalismo deve ter um escrutínio sobre ele próprio", disse João Tomé

Sem identificar fontes, Pedro Tadeu disse que estaria disponível para ajudar quem queira investigar jornalisticamente o tema, desde que não comprometa as normas éticas básicas, para apurar mais sobre o assunto.

João Tomé, que escreveu uma notícia no Dinheiro Vivo sobre o assunto, relatou como tinha contactado a pessoa que tinha colocado o anúncio, um ex-modelo português do Porto que faz parte ativa de um grupo anti-5G, que não revelou o nome de quem contratava, mas que terá dito que a vaga já estava preenchida.

"O jornalismo deve ter um escrutínio sobre ele próprio", afirmou João Tomé.

No artigo, Pedro Tadeu relata a história de um amigo que se candidatou e que nas entrevistas ficou a saber que "as matérias que se pretendiam elaborar eram relativas à pandemia provocada pela covid-19", que "o jornalista deveria focar os seus trabalhos na contabilização de números de mortos, número de infetados e níveis de contágio" e que era importante que o profissional trabalhasse numa redação de um órgão de comunicação social de difusão nacional e tivesse poder para publicar propostas de trabalho suas.

"Quando tivesse a reportagem específica combinada com o recrutador, o jornalista deveria propor esse trabalho na sua redação como sendo uma ideia sua. Caso conseguisse publicar, nos moldes combinados, seria remunerado por isso", refere Pedro Tadeu, no artigo.

O deputado comunista António Filipe considerou que "chegar a algum lado nesta investigação seria uma grande ajuda para a dignificação do jornalismo".

A presidente da comissão parlamentar de Cultura e Comunicação, Ana Paula Vitorino, disse no final das audições que o assunto será analisado numa próxima reunião para saber "o que fazer".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG