"Esta campanha de insulto é uma forma de pressão"

José Rodrigues dos Santos reage às acusações dos socialistas, que o chamaram de "talibã" e "especialista em desinformação

O jornalista da RTP voltou a estar debaixo de fogo depois de, na segunda-feira, ter dado algumas explicações acerca da dívida pública. Alguns deputados socialistas criticaram-no nas redes sociais, referindo-se à explicação como "vigarice extrema", falando da "degradação do serviço público" e referindo-se a José Rodrigues dos Santos como um "talibã" e "especialista em desinformação".

Em entrevista ao jornal i, o pivô do Telejornal considera que "esta campanha de insulto é uma forma de pressão" e realça que até agora "ninguém conseguiu desmentir o que a RTP disse". José Rodrigues dos Santos diz ainda que se recusa a descer de nível nesta questão.

"Convençam-nos com a razão, não com injúrias e intimidação", afirma ao jornal o jornalista da RTP, que garante não perceber a reação dos socialistas porque "o atual governo PS nada tem a ver com o endividamento de Portugal e portanto não é chamado para esta questão".

Na explicação que deu no Telejornal, José Rodrigues dos Santos começou por dizer que "no ano 2000, a dívida pública portuguesa somava 61 mil milhões de euros, o que correspondia a 48 por cento do PIB. Era um valor bem abaixo do limite de 60 por cento estabelecido pelo tratado que criou a moeda única".

Depois, o pivô passou para o tempo em que o Governo era liderado por José Sócrates. "O problema é que em 2005 a dívida pública portuguesa atingiu os 96 mil milhões de euros, correspondentes a 62 por cento do PIB. Tinha-se ultrapassado neste ano o limite dos 60 por cento estabelecido em tratado e isto obrigava Portugal a travar o endividamento. Mas em vez de travar, Portugal fez exatamente o contrário: o endividamento disparou", afirmou o jornalista. "Como consequência, em 2011, quando a troika chegou a Portugal, a dívida publica já estava nos 185 mil milhões de euros, correspondentes a 108 por cento do PIB, quando o limite era 60 por cento. Foi aqui que nasceu a crise da dívida em que estamos agora mergulhados", disse.

"Para agravar as coisas, o Eurostat descobriu que vários países, incluindo Portugal, estavam a esconder a dívida em empresas públicas, dívida que não era incluída nas contas nacionais. Ou seja, o país continuava a endividar-se mas escondíamos a dívida. Bruxelas deu ordem para alargar o perímetro orçamental também às empresas públicas, o que fez ainda disparar mais os números da dívida. De tal modo que no mês passado a dívida pública portuguesa atingiu os 233 mil milhões de euros, um valor que deverá rondar os 130 por cento do PIB, o que é mais do dobro dos 60 por cento a que Portugal se comprometeu por tratado", rematou José Rodrigues dos Santos.

No Twitter, José Magalhães disse que se trava de uma "vigarice extrema" e um "enxovalho para o serviço público".

Depois, no Facebook, acrescentou: "Este talibã toma por parvos e desmemoriados os que lhe suportam as homilias troikistas".

O deputado João Galamba também reagiu no Facebook às explicações de José Rodrigues dos Santos, que considerou ser um "especialista em desinformação".

"Recuso-me a descer a este nível", diz hoje ao i o jornalista. E afirma que a "dívida estava escondida, não no sentido de ser ilegal, mas no sentido de ser invisível". A dívida foi escondida e não foi só desde 2005, mas nunca afirmei que foi só desde essa altura. A única referência a 2005 foi para dizer que esse foi o ano em que o limite de 60% da dívida foi ultrapassado e que até à chegada da troika não se travou no endividamento, como Portugal se comprometera em tratado, mas pelo contrário disparou, ao ponto de a dívida quase duplicar", acrescenta.

"Demos alguma informação errada? Apontem-nos o erro, para verificarmos se assim é e corrigirmos se for esse o caso", desafia Rodrigues dos Santos, garantindo ser independente perante cores políticas. "Há alguns anos tive de me demitir na RTP devido a uma interferência editorial na altura de um governo do PSD/CDS, que não tolerei. Agora estou perante pressões do PS e também as rejeito. Sou independente e assim continuarei, apenas orientado pela busca da verdade. Posso enganar-me, mas jamais enganarei deliberadamente", afirma o jornalista que recentemente teve incidentes com os socialistas por causa do espaço de comentário de José Sócrates e por causa do deputado Alexandre Quintanilha.

Entretanto, José Magalhães já reagiu à entrevista de Rodrigues dos Santos ao i. No Facebook o socialista acusa o jornalista "& Amigos" de recurso a "uma série de tiques e esquemas velhíssimos", nomeadamente "autoelogio", "fuga ao ponto crítico" e "fuga à questão deontológica". O antigo deputado socialista pergunta ainda "As redes sociais incomodam e pressionam os poderosos?". E reponde: "Claro. É uma das suas melhores facetas. Ver gatinhos não é a única coisa que se pode fazer no Facebook".

José Magalhães remata apontando um "senão": " Andamos a fazer publicidade ao JRS e a Feira do livro está à porta. Paciência! Pelo menos esse dinheiro não é ganho à nossa custa e o gosto é livre".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG