Conselho de Redação da Lusa rejeitou nome de Diana Ramos para a direção de informação

Conselho de Redação da Lusa rejeitou nome de Diana Ramos para a direção de informação

Parecer obrigatório, mas não vinculativo, considera que a Lusa precisava de um perfil com experiência no "serviço público". Administração e trabalhadores chegaram ainda a acordo para aumento salarial.
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O Conselho de Redação (CR) da Lusa rejeitou esta quarta-feira o nome de Diana Ramos, nomeada pelo Conselho de Administração, para o cargo de diretora de informação da agência,

O conselho emitiu o seu parecer, que é não vinculativo, mas obrigatório, após a escolha da diretora do Jornal de Negócios para o cargo, anunciada no passado 30 de outubro.  

"Os elementos eleitos do Conselho de Redação dão parecer negativo à nomeação da jornalista Diana Ramos como diretora de informação (DI), com dois votos negativos e três abstenções", lê-se no parecer, a que o DN teve acesso.

Para o CR da agência, atualmente propriedade do Estado, "o momento que a Lusa atravessa impunha um perfil de uma nova diretora de informação que correspondesse a experiência no serviço público de notícias". E essa experiência, sugerem, poderia ser encontrada em "soluções internas".

Os elementos do CR recordam ainda "que o Conselho de Administração está a nomear uma nova DI depois de ter admitido no recente encontro de quadros que ainda estava a definir uma estratégia para a Lusa", lê-se ainda, sublinhando "que consideram grave" o afastamento de Luísa Meireles, antiga diretora de informação, pelo conselho de informação.

Para os signatários, há duas preocupações sobre interferência editorial. Primeiro, a tentativa de "contratação de uma jornalista para a delegação de Bruxelas", denunciada à ERC e à Assembleia da República em outubro pela Comissão de Trabalhadores da empresa.

"Os elementos eleitos lamentam ainda a insistência na manutenção dos Estatutos da Lusa, que atingem a autonomia editorial de qualquer DI e que deveriam exigir um processo menos disruptivo e profundamente ponderado por parte do Conselho de Administração na escolha de uma equipa", acrescentam.

Acordo para aumento salarial em 2026

Também esta quarta-feira, o conselho de administração da Lusa anunciou um acordo com os sindicatos dos trabalhadores da Lusa para um aumento salarial de 87,50 euros mensais que entra em vigor já este ano e com retroativos para janeiro.

Em comunicado, o conselho de administração da Lusa anunciou que o acordo foi alcançado após "a conclusão da negociação com os sindicatos", que ocorreu esta quarta-feira "após três reuniões de negociação.

Este valor, lê-se, é "mais 30,92€ do que os 56,58€ anteriormente concedidos, com retroativos a janeiro", elogia a administração, que chama de um "valor histórico" e um recorde.

"Este aumento, pontual e excecional, é um sinal claro da compreensão do Conselho de Administração pelo agravamento do custo de vida, que afeta os trabalhadores e as suas famílias", defendem.

Este acordo tem agora de ser aprovado num plenário de trabalhadores, marcado para esta quinta-feira e insistiu no "reinício das negociações para a revisão do acordo de empresa" que rege a Lusa, sociedade anónima detida na totalidade pelo Estado português.

Apesar das acusações pelos sindicatos de a administração estar a condicionar aumentos salariais com esta revisão, o conselho de administração acredita que estas negociações darão "lugar a um clima de paz social na empresa -- que é desejado por todos".