[soliloquy id=”4524″].Numa medida para aliviar o tráfego e a poluição na cidade de Londres, no Reino Unido, a empresa de arquitetura PLP, sediada naquela mesma cidade, imaginou um conceito de mobilidade em que o trânsito automóvel beneficia do mesmo conceito que o metropolitano..A premissa passa, muito simplesmente, por ‘enterrar’ o tráfego sob a ideia de que a cidade deve ser para os peões e para se desfrutar sem condicionalismos relacionados com o trânsito..O conceito foi pensado por Lars Hesselgren, em conjunto com a sua equipa da PLP, recebendo a denominação CarTube, numa réplica do conceito que se aplicou no metropolitano, mas também com um elevado cunho tecnológico..Os automóveis utilizados neste sistema seriam autónomos e estariam conectados em rede, havendo ainda a necessidade de serem elétricos por uma questão de extração de emissões. Contudo, a aplicação desta ideia conta com alguns entraves, a começar pela exigência de construção de novos túneis adaptados a esta rede de mobilidade, o que levaria a gastos consideráveis, quer em termos financeiros, quer em termos temporais..A PLP garante que o facto de os túneis serem mais pequenos e de não ser necessária a construção de uma rede de extração de gases poderia tornar o seu custo de construção mais reduzido, mas o maior entrave a este plano estará no já congestionado subsolo daquela cidade. Sede daquela que foi a primeira rede de metropolitano do mundo (em 1863) e detentora de um dos maiores e mais bem planificados sistemas de transportes, Londres tem hoje um subsolo bastante preenchido, entre a presença de sistemas de esgotos, drenagem e cabos para os mais diversos serviços..Visão de mobilidade.A PLP Architecture estabelece, para este sistema, um modo de utilização simples, que se basearia numa rede de túneis subterrâneos espaçados por um quilómetro e que estariam ligados a infrestruturas rodoviárias existentes. Pontos de paragem são estabelecidos em cada ‘nó’ da rede. O trânsito, governado por veículos autónomos e elétricos, manteria o mesmo ritmo (80 km/h), assim criado uma espécie de carreiro de formiga, podendo o utilizador escolher a sua saída e o seu percurso com comodidade e segurança, de acordo com a companhia de arquitetura britânica..Tal como o metro, sendo este sempre o ponto de comparação, o objetivo da PLP é conceber um fluxo contínuo de mobilidade, sem paragens..Haverá também a possibilidade de deixar o carro estacionado no subsolo, com um serviço de estacionamento automático e completamente autónomo, com o condutor/utilizador a seguir o seu caminho, depois, por um elevador rumo à superfície..A PLP estima que o CarTube poderia efetuar o percurso entre Heathrow e a zona financeira e histórica de Londres (denominada City) em apenas 14 minutos, melhorando o tempo de viagem dentro da cidade em até 75%..Contudo, se em Londres esta solução se apresenta como altamente improvável, em declarações citadas no The Guardian, Hesselgren aponta outros locais onde o CarTube poderia vingar, atendendo ao elevado fluxo populacional e à baixa taxa de ocupação do subsolo, como México, Nova Deli e Bombaim: “Este tipo de abordagem nestes locais poderia realmente fazer a diferença”, afirmou, lembrando que os autónomos se adaptariam na perfeição ao trânsito debaixo da superfície.