ONG defende alteração de regras de exploração da Montepuez Ruby Mining no norte de Moçambique

O Centro de Integridade Pública (CIP) defendeu hoje a alteração das regras de exploração da Montepuez Ruby Mining, empresa que extrai esmeraldas e rubis no norte de Moçambique, para o país passar a reter mais lucros do negócio.
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"Para garantir um maior contributo do projeto no desenvolvimento da economia recomenda-se a conversão da concessão mineira em um contrato", refere a organização não-governamental (ONG) numa nota distribuída hoje à imprensa.

Aquela ONG entende que a contribuição fiscal que advêm da exploração da área situada na província de Cabo Delgado está abaixo do potencial de produção, que é de 8,4 milhões quilates por ano.

As receitas da empresa são provenientes de leilões e, desde 2012, ano em que começou a atuar em Moçambique, a empresa arrecadou 335 milhões de dólares (277 milhões de euros), dos quais 10% são destinados a 'royalties'.

Segundo cálculos da organização, o Governo moçambicano devia ter recebido 7,6 milhões de dólares (6,2 milhões de euros) em 2014, porém, declarou ter recebido apenas 3,8 milhões de dólares (3,1 milhões de euros)

"Nota-se que grande parte dos lucros [85%] obtidos pela exploração do rubi de Montepuez são expatriados para os países de origem de parte significativa dos parceiros e apenas 15%, provavelmente, são retidos no país", refere o CIP.

"É necessário melhorar a transparência e responsabilização na gestão do projeto, em especial das receitas", lê-se no documento, que acrescenta que a tributação no setor mineiro exige que o preço adequado e os custos de produção sejam corretamente determinados.

A Montepuez Ruby Mining é detida pela Gemfield, e pela Mwiriti, e a área que está a ser explorada (cerca de 340 quilómetros quadrados) é considerada uma das mais extensas concessões do mundo em mãos de privados, segundo a Gemfields.

A Gemfields, com sede nas Maurícias, detém 75% do consórcio e a empresa moçambicana Mwiriti participa no projeto com os restantes 25%.

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