Óbito/Maurílio de Gouveia: Arcebispo emérito José Alves evoca "marca profunda" deixada no Alentejo

O atual arcebispo emérito de Évora, José Alves, manifestou hoje "muita consternação" pela morte do seu antecessor, Maurílio de Gouveia, "um grande amigo" e que "deixará uma marca profunda" no "vasto território" da arquidiocese alentejana.
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"Recebi a notícia com muita consternação porque colaborei com ele durante mais de 17 anos na arquidiocese de Évora e em várias atividades. Era uma colaboração muito próxima e estabelecemos laços de amizade, comunhão e também uma relação eclesial muito profunda", disse à agência Lusa José Alves.

Maurílio de Gouveia, que esteve à frente da arquidiocese durante quase 27 anos, entre setembro de 1981 e fevereiro de 2008, "foi realmente um grande arcebispo de Évora", assinalou José Alves, que o sucedeu no cargo (de 2008 a 2018).

"Deixará uma marca muito profunda em todo o vasto território que é a arquidiocese de Évora, a maior em extensão em Portugal, com 13.500 quilómetros, e que ele percorreu muitíssimas vezes", destacou.

O arcebispo emérito de Évora Maurílio de Gouveia morreu na terça-feira na Madeira, aos 86 anos.

Nascido no Funchal (Madeira), a 05 de agosto de 1932, onde regressou depois da posse do seu sucessor, em Évora, Maurílio de Gouveia foi ordenado sacerdote em 1955, passando a liderar, 26 anos depois, a arquidiocese alentejana.

Lembrando que foi ordenado bispo, precisamente, por Maurílio de Gouveia, em maio de 1998, o atual arcebispo emérito de Évora evocou o seu antecessor como "um homem que verdadeiramente estava muito próximo das pessoas" e que "gostava dessa proximidade".

"Sentia alegria de se encontrar com as pessoas, ia ao lugar onde elas viviam, convivia com elas e levava-lhes sempre uma palavra de ânimo e de evangelho", recordou.

Segundo José Alves, no âmbito do "trabalho extraordinário" que desenvolveu na arquidiocese, "ficaram muito evidentes as visitas pastorais" de Maurílio de Gouveia "num estilo muito próprio, a cada uma das nove vigararias (Alcácer do Sal, Arraiolos, Coruche, Elvas, Estremoz, Évora, Montemor-o-Novo, Reguengos de Monsaraz e Vila Viçosa) e, depois, a todas as paróquias".

"Reestruturou, remodelou e deu um novo impulso a toda a atividade pastoral da arquidiocese era um homem da comunicação social e que tinha uma grande paixão pela comunicação", realçou, frisando ainda que a intervenção do prelado "foi muito relevante na formação do clero, dos seminários e dos padres".

Os restos mortais de Maurílio de Gouveia encontram-se em câmara ardente no Eremitério Maria Serena, na Madeira, onde decorre hoje uma missa presidida pelo arcebispo de Évora, Francisco Senra Coelho.

Na quinta-feira de manhã, ainda na Madeira, segundo a Diocese do Funchal, será realizado o acolhimento na Sé e ofício de defuntos, assim como uma missa de corpo presente, presidida pelo bispo do Funchal, Nuno Brás.

Também na quinta-feira, o corpo do arcebispo emérito de Évora será transladado para a cidade alentejana, estando agendadas exéquias para a Sé Catedral, sendo Maurílio de Gouveia sepultado, na sexta-feira, na Igreja do Espírito Santo, no Panteão dos Arcebispos.

Maurílio Jorge Quintal de Gouveia foi arcebispo de Évora durante quase 27 anos, entre setembro de 1981 e fevereiro de 2008, tendo sido substituído por José Alves, que permaneceu no cargo até ao ano passado, quando cedeu o lugar ao atual prelado alentejano, Francisco Senra Coelho.

Tanto Maurílio de Gouveia, como José Alves pediram a resignação do cargo quando atingiram o limite de idade canónica (75 anos).

Segundo os dados biográficos do antigo arcebispo, disponibilizados à agência Lusa pela arquidiocese alentejana, Maurílio de Gouveia cursou no Seminário Diocesano do Funchal, onde foi ordenado sacerdote a 04 de junho de 1955.

Daí, seguiu para Roma, frequentando a Universidade Gregoriana e obtendo a licenciatura em Teologia Dogmática.

De regresso à Madeira, exerceu o ministério pastoral na paróquia de Machico, após o que foi nomeado vice-reitor e professor do Seminário do Funchal.

Na sua diocese, foi ainda assistente de vários movimentos de apostolado e cónego da Sé, sendo que, mais tarde, exerceu as funções de diretor do diário diocesano "Jornal da Madeira".

A nomeação episcopal aconteceu a 26 de novembro de 1973, como titular de Fabiona e Auxiliar do Patriarcado de Lisboa, e a ordenação episcopal surgiu a 13 de janeiro do ano seguinte, na Sé do Funchal.

Quatro anos depois, a 22 de março, foi nomeado arcebispo titular de Mitilene e vigário geral do Patriarcado de Lisboa.

Sucedendo a Frei David de Sousa como arcebispo de Évora, a nomeação, pelo papa João Paulo II, aconteceu a 08 de setembro de 1981, festa da Natividade de Nossa Senhora, tomando posse três meses depois, no dia da festa da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, padroeira principal de Portugal e da arquidiocese de Évora.

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