Uma desconstrução da ópera de Bellini "A sonâmbula" hoje no Festival de Almada

O espetáculo "A sonâmbula", uma desconstrução do encenador húngaro David Marton da ópera homónima de Vincenzo Bellini, marca hoje o penúltimo dia do 35.º Festival de Almada, um "dos espetáculos fantásticos" do certame, segundo o diretor.

A vasta formação musical do encenador húngaro e pianista de formação, nascido em 1975, faz desta peça, que sobe hoje ao palco da sala principal do Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, "um dos espetáculos fantásticos da programação desta edição", disse o diretor do festival, Rodrigo Francisco.

Com um cenário que é uma "referência explícita" a uma escultura do pintor, escultor e poeta francês Marcel Duchamp, neste espetáculo, David Marton desfaz para refazer a ópera de Vincenzo Bellini (1801-1835), com libreto de Felice Romani, acabando por criar um universo de sonho, no qual nenhuma das personagens encontra sossego, segundo o programa do Festival.

Na construção do enredo original da ópera de Bellini, o compositor italiano inspirara-se num 'vaudeville' de Eugène Scribe, sobre uma aldeia suíça onde o sonambulismo de uma jovem provocava uma série de mal-entendidos amorosos entre o seu noivo, uma estalajadeira ciumenta e um conde que estava ali de passagem.

Nesta produção da Münchner Kammerspiele -- que terá nova récita no último dia do festival --, David Marton reuniu um conjunto de intérpretes que são ora músicos, ora cantores, ora atores, com os quais criou "um espetáculo de teatro musical", em que "o virtuosismo rivaliza com a ironia", lê-se no programa do Festival de Almada.

"Uma obra-prima dadaísta", foi como a revista Culturieuse designou esta criação do encenador, que já foi intérprete do suíço Christoph Marthaler -- presente na edição 2017 do Festival com "Uma ilha flutuante" --, e que, ao desconstruir a opera de Bellini, revela "a teatralidade da própria música, criando um universo onírico no qual nenhuma das quatro personagens encontra sossego".

"A última estação", de Elmano Sancho, na sala experimental do Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, e, em Lisboa, "Colónia Penal", um inédito inacabado de Jean Genet, encenado por António Pires, e "Nada de mim", de Arne Lygre, que assinala a estreia de Pedro Jordão na encenação, respetivamente, nos teatros do Bairro e da Politécnica, completam as propostas para o penúltimo dia do 35.º Festival de Almada.

Nas atividades paralelas, destaca-se igualmente a última Conversa na Esplanada, com a atriz Natália Luiza, protagonista de "Carmen".

Vinte e quatro produções -- nove portuguesas e 15 estrangeiras -, 11 concertos de entrada livre e quatro espetáculos de rua fizeram a programação da 35.ª edição do Festival de Almada, a decorrer desde o passado dia 04, em vários espaços da cidade, e em salas de teatro de Lisboa.

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