"É uma medida extremamente positiva. Esta é a medida que, durante toda a legislatura, vai ter maior impacto no rendimento das famílias. Muito mais que a subida de salários, redução de pensões e cortes de sobretaxas no IRS", sublinhou o professor catedrático do Instituto Superior Técnico à agência Lusa..Para Nunes da Silva, trata-se de uma iniciativa "benéfica para quem tem menos rendimentos", para as famílias que vivem fora do centro das áreas metropolitanas.."As famílias com menores rendimentos são aquelas que vivem fora das áreas metropolitanas. Não são os ricos que vivem no interior de Almada, do Seixal, de Vila Franca de Xira ou no interior de Sintra", salientou..De acordo com o professor de Urbanismo e Transportes no Instituto Superior Técnico, este programa "representa uma diferença brutal nos rendimentos das famílias", adiantando que as pessoas poderão poupar, mensalmente, entre 250 e 300 euros.."Há muito tempo que se anda a reivindicar a necessidade de ajustar os preços dos transportes em Portugal, em particular nas duas áreas metropolitanas [Porto e Lisboa], àquilo que é o nível de vida das pessoas", realçou Nunes da Silva, garantindo que o processo apenas foi pensado para a zona de Lisboa. .O professor catedrático do Instituto Superior Técnico defendeu ainda um aumento da verba disponível no próximo Orçamento do Estado (OE) para responder às necessidades do resto do país, porque, afirma, mais de 80% do valor destina-se a Porto e Lisboa.."É evidente que, quando se anuncia uma medida destas, o país não pode ficar parado", disse, acrescentando que é "disparatado" dizer-se que "esta é uma medida que não faz distinção entre ricos e pobres", uma vez que a Área Metropolitana da Lisboa é a mais beneficiada..O antigo vereador da Mobilidade da Câmara de Lisboa quando a autarquia era presidida por António Costa reconheceu que os municípios, fora das áreas metropolitanas de Porto e Lisboa, possuem dados sobre a procura e oferta de transportes públicos..Em relação à Área Metropolitana de Lisboa, o professor considerou ser "incompreensível que se pagasse mais caro [pelos passes] que nas áreas metropolitanas de Barcelona ou Paris", recordando que a capital se estendeu muito além dos 18 municípios que a compõem, devido à "subida brutal dos preços do imobiliário"..O programa de redução tarifária nos transportes públicos começa em 01 de abril também em 16 Comunidades Intermunicipais (CIM), tendo apenas cinco delas - Leiria, Terras de Trás-os-Montes, Alentejo Litoral, Algarve e Tâmega e Sousa - adiado o seu arranque para maio, de acordo com o Ministério do Ambiente..Todas as outras iniciarão a implementação de reduções tarifárias em 01 de abril, tal como acontecerá com as duas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto..O programa prevê que as 21 CIM recebam, através do Orçamento do Estado, um total de 23,2 milhões de euros para adotarem medidas de redução tarifária nos transportes públicos nos respetivos territórios.