OIT pede medidas para proteger os trabalhadores do futuro robotizado

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresentou hoje um relatório sobre o futuro do trabalho onde exorta os governos a tomarem medidas para protegerem os trabalhadores e enfrentarem os desafios da robotização e da inteligência artificial.

"Novas forças estão a transformar o mundo do trabalho. As transições envolvidas exigem uma ação decisiva", começa por sublinhar a OIT no relatório "Trabalhar para Um Futuro mais Promissor" da comissão global da organização para o futuro do trabalho.

Segundo a OIT, até dois terços dos empregos do mundo de hoje poderão ser parcial ou totalmente automatizados nas próximas décadas, pelo que as oportunidades oferecidas por essas transformações devem ser aproveitadas.

"Inteligência artificial, automação e robótica levarão a uma perda de empregos", mas esses mesmos avanços tecnológicos, juntamente com a economia verde "também criarão milhões de empregos, se as novas oportunidades forem aproveitadas", sublinha a comissão da OIT.

Os avanços tecnológicos criarão novos empregos, "mas aqueles que perderem os seus empregos nessa transição poderão ser os menos preparados para aproveitar as novas oportunidades", alerta ainda a organização.

"As habilidades de hoje não corresponderão aos trabalhos de amanhã e as habilidades recém-adquiridas podem tornar-se rapidamente obsoletas", continua a comissão da OIT copresidida pelo primeiro-ministro sueco, Stefan Löfven, e pelo Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.

No relatório são apresentadas dez recomendações articuladas em três pilares de ação: investir nas pessoas, investir nas instituições do trabalho e investir no trabalho digno e sustentável.

A OIT recomenda "uma garantia universal de emprego que proteja os direitos fundamentais dos trabalhadores e garanta um salário que permita um padrão de vida digno, horas de trabalho limitadas e locais de trabalho seguros e saudáveis".

Uma proteção social desde o nascimento até à velhice e o direito universal à aprendizagem ao longo da vida são outras das recomendações da organização internacional, que defende maiores investimentos em economias rurais e verdes e também uma agenda a favor da igualdade de género.

"Esperam-nos inúmeras oportunidades para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores (...). No entanto, nada disso acontecerá por si só. Sem essas medidas, iremos ter um mundo onde as desigualdades e incertezas existentes serão aprofundadas", refere a OIT.

O relatório sobre o Futuro do Trabalho é apresentado hoje na sede da OIT, em Genebra, Suíça, marcando o início das comemorações do centenário da organização.

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