Manifesto exige retirada de proposta do Governo sobre a caça nos Açores

Várias associações ambientalistas dos Açores e mais de 350 pessoas assinaram um manifesto que critica e pede a retirada da atual proposta do Governo açoriano sobre o exercício da caça no arquipélago, foi hoje anunciado.

Segundo um comunicado enviado à agência Lusa, o "Manifesto pela defesa das aves açorianas e contra a sua caça" conta com as assinaturas de associações como os Amigos dos Açores, Quercus/São Miguel, do Coletivo Açoriano de Ecologia Social, da Avifauna dos Açores e de mais de 350 pessoas individuais.

No documento pode ainda ler-se que a proposta "não está apoiada num grau suficiente de conhecimento científico, não respeita o cumprimento dos tratados internacionais e não protege de forma satisfatória nem adequada a frágil natureza dos Açores".

Segundo um comunicado da Avifauna dos Açores, os subscritores comungam "das mesmas reivindicações apresentadas também num recente comunicado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA)".

Recentemente, a SPEA defendeu que a proposta sobre o novo regime jurídico da gestão dos recursos cinegéticos e da caça nos Açores deveria ser reformulada.

Os subscritores também consideram que se devem "excluir definitivamente da lista de espécies cinegéticas as aves nativas que apresentam um estado de conservação desfavorável, como a narceja ou a galinhola, as aves migradoras que utilizam os escassos e valiosos habitats aquáticos, como o pato-real, a marrequinha e a piadeira, e as aves de origem exótica, como a perdiz-vermelha e a perdiz-cinzenta, que mesmo por razões legais nunca deveriam ser introduzidas na região".

Alertam para o facto de "quatro aves migradoras protegidas estarem fortemente expostas à caça por serem praticamente impossíveis de diferenciar de outras quatro incluídas atualmente na lista de espécies cinegéticas" e pedem a proibição da utilização na caça de aves de presa e do furão, uma espécie exótica invasora nos Açores.

Para os assinantes do manifesto "a caça de aves açorianas, praticada por uma minoria de caçadores, é altamente subsidiada com dinheiro, equipamentos e funcionários públicos, sendo que o seu escasso benefício contrasta claramente com o impacto negativo que exerce sobre outras atividades económicas mais importantes para a região", como o turismo.

O Governo açoriano já se manifestou disponível para acolher propostas de alteração ao regime jurídico da gestão dos recursos cinegéticos e do exercício da caça no arquipélago, "desde que sejam pertinentes e exequíveis".

Uma nota do executivo açoriano, de 31 de outubro, citando a diretora regional dos Recursos Florestais, Anabela Isidoro, referia que as questões levantadas pela SPEA "foram devidamente analisadas, equacionadas e acauteladas aquando da elaboração da proposta de diploma em apreciação".

Contudo, os subscritores do manifesto lamentam "a insistência do executivo açoriano em ignorar o conhecimento científico existente e em continuar a defender opções ambientais caducas e erradas".

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