Investigação revela como hormona determina crescimento de peixes como linguado

Investigadores da Universidade do Algarve publicaram um estudo que revela como uma hormona, presente na tiroide, é determinante para o desenvolvimento de peixes como o linguado.
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Apesar de, em última instância, este conhecimento poder ser útil para a investigação do período de crescimento pós-natal em humanos, a sua aplicação mais imediata será feita na área da aquacultura, porque a hormona é determinante numa fase do desenvolvimento do pescado que costuma ser crítica, disse à agência Lusa Marco Campinho, investigador que liderou a equipa autora do trabalho, que integrou investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) e do Centro de Investigação em Biomedicina (CBMR).

"Com certeza que se irá poder compreender melhor o desenvolvimento humano, porque a hormona está não só nos peixes, mas também em nós, mas o que descobrimos foi o mecanismo pelo qual a hormona consegue gerar assimetria da cabeça destes animais e criar um linguado", disse o investigador da Universidade do Algarve à agência Lusa.

Marco Campinho explicou que "o linguado, na fase larvar, tem um olho em cada lado do corpo e depois um dos olhos migra, ficando ambos de um só lado (do corpo do peixe), durante a metamorfose, processo de crescimento que tem mecanismos análogos ao desenvolvimento pós-natal em humanos (entre o nascimento e os 18 meses de idade)".

"O que descobrimos foi que a hormona é capaz de assinalar, de uma maneira assimétrica, a região do crânio imediatamente abaixo do olho que migra e promover a ossificação apenas nessa região. E assim que isso acontece, o olho é empurrado para o lado contrário", precisou.

O investigador acrescentou que, "à medida que o olho é empurrado, o eixo do animal começa a virar para o lado em que o olho deixa de estar" e "o lado onde os dois olhos ficam passa a ser dorsal e o outo ventral", resultando na forma típica do linguado.

Marco Campinho frisou que o seu trabalho visa compreender "a diversidade da ação da hormona nos vertebrados" e apontou a aquacultura como a área onde este conhecimento "pode ter a aplicação mais imediata", sobretudo porque o linguado é uma espécie com alto valor comercial e é na fase da metamorfose que muitas espécies morrem quando são produzidas em aquacultura.

"A maior parte dos animais morre na fase de metamorfose, e é de facto muito importante conhecer este processo para podermos encontrar formas de mitigar problemas que possam surgir nesta fase da cultura no animal", afirmou ainda Marco Campinho, que liderou uma equipa composta também pelos investigadores Cláudia Florindo, Gabriel Martins e Manuel Manchado.

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