Governo dos Açores rejeita críticas dos ambientalistas à nova legislação da caça

O Governo dos Açores assegurou hoje que a nova legislação sobre a caça no arquipélago tem por base dados científicos e o respeito pela natureza, rejeitando críticas de várias associações ambientalistas.

"A proposta é credível, teve em conta o conhecimento científico, cumprindo as regras nacionais e internacionais, nomeadamente a Diretiva Aves no que respeita à salvaguarda dos períodos de retorno das espécies migratórias aos seus locais de nidificação", afirma a diretora regional dos Recursos Florestais, Anabela Isidoro, citada numa nota de imprensa do executivo açoriano.

Associações ambientalistas Quercus, Amigos dos Açores, Coletivo Açoriano de Ecologia Social, Avifauna dos Açores e cerca de 350 pessoas assinaram um manifesto que pede a retirada da atual proposta do executivo açoriano.

O documento, designado "Manifesto pela defesa das aves açorianas e contra a sua caça", pede a retirada da atual proposta de decreto legislativo regional sobre o exercício da caça nos Açores.

Num comunicado divulgado na quarta-feira, os subscritores consideram que proposta "não está apoiada num grau suficiente de conhecimento científico, não respeita o cumprimento dos tratados internacionais e não protege de forma satisfatória nem adequada a frágil natureza dos Açores".

A diretora regional dos Recursos Florestais reitera hoje que Governo dos Açores "está sempre disponível para acolher propostas de alteração, desde que sejam exequíveis e credíveis", e sustentou que as críticas do manifesto, além de injustificadas, pecam por terem sido feitas de "ânimo leve e sem sustentação científica".

Além disso, Anabela Isidoro garante que a atividade cinegética nos Açores "é fiscalizada e cumpre regras ajustadas à realidade de cada uma das ilhas", assim como as normas estipuladas a nível nacional e internacional quanto à lista de espécies cinegéticas.

O manifesto solicita a exclusão definitiva da lista de espécies cinegéticas "as aves nativas que apresentam um estado de conservação desfavorável", alertando também para o facto de "quatro aves migradoras protegidas estarem fortemente expostas à caça por serem praticamente impossíveis de diferenciar de outras quatro incluídas atualmente na lista de espécies cinegéticas".

Os subscritores reclamam, ainda, a proibição da utilização na caça de aves de presa e do furão, uma espécie exótica invasora nos Açores.

Anabela Isidoro contrapõe no caso da caça com furão constitui um processo com "grande tradição na região"", não se conhecendo qualquer estudo a nível regional que indique a sua condição de espécie invasora.

"Por outro lado, não se pode inferir que, pelo facto de serem espécies cinegéticas, a caça se faça com a mesma pressão em todas as ilhas, como é o caso de São Miguel, em que os calendários venatórios há mais de 30 anos não permitem a caça à galinhola", refere a diretora regional, sublinhando que a atividade cinegética é fundamental na regulação das abundâncias de algumas espécies e a sua coexistência com as atividades agrícola e turística é possível e necessária.

Ler mais

Premium

Ricardo Paes Mamede

Tudo o que a troika não fez por nós

A crítica ao "programa de ajustamento" acordado com a troika em 2011 e implementado com convicção pelo governo português até 2014 já há muito deixou de ser monopólio das mentes mais heterodoxas. Em diferentes ocasiões, as próprias instituições em causa - FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia - assumiram de forma mais ou menos explícita alguns dos erros cometidos e as consequências que deles resultaram para a economia e a sociedade portuguesas. O relatório agora publicado pela Organização Internacional do Trabalho ("Trabalho Digno em Portugal 2008-2018: da Crise à Recuperação") veio questionar os mitos que ainda restam sobre a bondade do que se fez neste país num dos períodos mais negros da sua história democrática.

Premium

João Gobern

Simone e outros ciclones

O mais fácil é fazer coincidir com o avanço da idade o crescimento da necessidade - também um enorme prazer, em caso de dúvida - de conversar e, mais especificamente, do desejo de ouvir quem merece. De outra forma, tornar-se-ia estranho e incoerente estar às portas de uma década consecutiva em programas de rádio (dois, sempre com parceiros que acrescentam) que se interessam por escutar histórias e fazer eco de ideias e que fazem "gala" de dar espaço e tempo a quem se desafia para vir falar. Não valorizo demasiado a idade, porque mantenho intacta a certeza de que se aprende muito com os mais novos, e não apenas com aqueles que cronologicamente nos antecederam. Há, no entanto, uma diferença substancial, quando se escuta - e tenta estimular-se aqueles que, por vias distintas, passaram pelo "olho do furacão". Viveram mais (com o devido respeito, "vivenciaram" fica para os que têm pressa de estar na moda...), experimentaram mais, enfrentaram batalhas e circunstâncias que, de alguma forma, nos podem ser úteis muito além da teoria. Acredito piamente que há pessoas, sem distinção de sexo, raça, religião ou aptidões socioprofissionais, que nos valem como memória viva, num momento em que esta parece cada vez mais ausente do nosso quotidiano, demasiado temperado pelo imediato, pelo efémero, pelo trivial.

Premium

Henrique Burnay

Isabel Moreira ou Churchill

Numa das muitas histórias que lhe são atribuídas, sem serem necessariamente verdadeiras, em resposta a um jovem deputado que, apontando para a bancada dos Trabalhistas, perguntou se era ali que se sentavam os seus inimigos, Churchill teria dito que não: "Ali sentam-se os nossos adversários, os nossos inimigos sentam-se aqui (do mesmo lado)." Verdadeira ou não, a história tem uma piada e duas lições. Depois de ler o que publicou no Expresso na semana passada, é evidente que a deputada Isabel Moreira não se teria rido de uma, nem percebido as outras duas.