Enfermeiros e utentes exigem mais profissionais de saúde no litoral alentejano

Perto de cem pessoas, entre enfermeiros, utentes e autarcas, participaram hoje numa concentração em frente ao Hospital do Litoral Alentejano, no concelho de Santiago do Cacém, para exigir a contratação de mais profissionais de saúde.

O protesto foi convocado pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), após tomar conhecimento do "despedimento" de enfermeiros com contratos de substituição, embora a falta de profissionais de saúde na Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) já tenha sido reconhecida pelo conselho de administração.

"Neste momento, temos confirmado o despedimento de dez enfermeiros quando o próprio conselho de administração refere que tem falta de 90", disse hoje aos jornalistas Zuraima Prado, dirigente do SEP.

A sindicalista afirmou que "a atividade assistencial já está seriamente comprometida, nomeadamente com o encerramento de camas e com alteração dos mapas cirúrgicos", algo que considerou "vergonhoso".

O enfermeiro Luís Matos, que trabalha no HLA, referiu ter tido hoje conhecimento de que "mais uma colega do Serviço de Urgência irá terminar o contrato até ao fim do mês".

"Temos a urgência caótica, os doentes não sobem para os serviços porque têm camas encerradas, nomeadamente o serviço de ortopedia tinha cerca de oito camas fechadas, os doentes acabam por ficar na urgência e numa urgência com capacidade para 14 doentes temos neste momento 22 internados", alertou o enfermeiro, que é também dirigente do SEP.

Além disso, acrescentou, a equipa de enfermagem no Serviço de Urgência, "que inicialmente seriam oito enfermeiros de manhã, oito à tarde e sete à noite", está atualmente "a fazer turnos com seis enfermeiros", ou seja, com "uma redução de dois enfermeiros por turno".

Para o representante das comissões de utentes, Dinis Silva, a falta de profissionais de saúde implica que "não há segurança para os utentes".

Os utentes destacaram ainda a falta na ULSLA de especialistas como pediatras, urologistas, ginecologistas, otorrinolaringologistas, de medicina física e reabilitação, cardiologistas, oncologistas e de medicina geral e familiar.

"A saúde é um direito, sem ela nada feito" foi o mote entoado em diversos momentos ao final da tarde pelos manifestantes, que se concentraram, pelas 17:30, sob a chuva, junto à portaria do HLA, e se deslocaram depois até à entrada principal da unidade hospitalar, para entregar uma moção aprovada em que exigem "soluções imediatas".

"Não é admissível que não haja, por parte do ministro da Saúde/ministro das Finanças, um despacho favorável à contratação de profissionais de saúde na ULSLA, EPE, e a aprovação do mapa de pessoal desta instituição, adequado às reais necessidades das populações", pode ler-se no documento.

Na moção, que vai ser remetida, além do conselho de administração da ULSLA, ao Presidente da República, ao primeiro-ministro, ao ministro da Saúde, aos grupos parlamentares, autarquias locais e ao presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, é exigida a "admissão imediata e com vínculo definitivo" de profissionais de saúde e técnicos operacionais.

O documento pede ainda "restabelecimento da totalidade de vagas dos vários serviços do HLA", o "cumprimento dos tempos máximos de resposta garantidos nas consultas, cirurgias e exames complementares de diagnóstico" e ainda obras de melhoramento em várias extensões de saúde.

O protesto, em que participaram enfermeiros e outros profissionais dos serviços de saúde, utentes e autarcas, contou também com a presença da deputada à Assembleia da República eleita pelo PCP Paula Santos.

O Conselho de Administração da ULSLA não esteve disponível para prestar declarações.

A ULSLA é composta pelo HLA e pelos centros de saúde dos concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém e de Sines, no distrito de Setúbal, e Odemira, no distrito de Beja, abrangendo uma população residente de cerca de 97 mil habitantes.

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