"Esperamos observações críticas. Evidentemente, debateremos, sentar-nos-emos à mesa para explicar a proposta de orçamento e argumentar", declarou à chegada para o segundo dia de Conselho Europeu, em Bruxelas..O primeiro-ministro de Itália disse que, à medida que o tempo passa, está cada vez mais convencido de que o Orçamento do Estado italiano para 2019 é "muito bom", apesar de não ser aquilo que a Comissão Europeia esperava. .Conte defendeu, contudo, que apesar do desvio das regras europeias, a proposta orçamental italiana dá prioridade ao investimento e ao crescimento, uma mensagem que transmitiu esta manhã à chanceler alemã, Angela Merkel..O comissário europeu Valdis Dombrovskis, responsável pela pasta do Euro, indicou na terça-feira que a Comissão Europeia tem duas semanas para pedir uma revisão do plano orçamental de Itália, caso conclua que se mantém o "desvio significativo" das regras europeias. .Relativamente à posição do executivo comunitário sobre o plano orçamental italiano, que prevê um défice de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB), Valdis Dombrovskis recordou a troca de correspondência entre ambas as partes.."O Governo italiano escreveu-nos uma missiva na qual nos informava da alteração dos objetivos fiscais anteriormente fixados, incluindo a meta do défice de 2,4% do PIB. Numa primeira avaliação, observámos um desvio significativo das metas das regras europeias, e pedimos que o Governo italiano fizesse ajustamentos na sua proposta. Agora, quando terminarmos a nossa avaliação, daremos uma opinião formal", disse..Também na terça-feira, o presidente da Comissão Europeia lembrou, num encontro com jornalistas italianos, que Itália deve respeitar os seus compromissos..Caso a Comissão Europeia avance para o pedido de revisão da proposta orçamental italiana, seria a primeira vez que um orçamento era "chumbado" desde a criação do "semestre europeu"..O executivo de coligação populista, que inclui o Movimento Cinco Estrelas (M5S) e a Liga, enviou na noite de segunda-feira a Bruxelas um plano orçamental em que prevê um défice de 2,4% do PIB para 2019..O "orçamento do povo", como foi batizado pelo governo, inclui 37 mil milhões de euros de despesas extras e uma redução de impostos, o que elevará o défice a 22 mil milhões de euros.