Shohrat Zakir admitiu que foi criado um "modelo" que ensina a "língua comum do país, conhecimentos legais e competências profissionais", e salva os que foram enganados pelo extremismo religioso..As autoridades do Xinjiang transformaram, nos últimos anos, a região num estado policial, através de uma campanha repressiva, que foi reforçada a partir de 2016, quando o secretário do Partido Comunista Chinês (PCC), Chen Quanguo, foi transferido para a região, após vários anos no Tibete..Numa rara admissão pelas autoridades chinesas da detenção extrajudicial de uigures, Zakir afirmou que os centros são destinados a pessoas "influenciadas pelo terrorismo e extremismo, mas apenas suspeitos de delitos menores, que podem assim ser isentos de repressão penal"..A Comissão Executiva para a China do Congresso dos Estados Unidos e organizações não-governamentais denunciaram já o "internamento massivo e arbitrário de até um milhão ou mais de uigures" em campos onde são forçados a criticar o islão e a própria cultura, a aprender mandarim e a jurar lealdade ao PCC..Citado pela agência noticiosa oficial Xinhua, Zakir não menciona detenções, mas admite que as instituições mantêm agentes de segurança à entrada..As declarações de Zakir ilustram a visão de Pequim, na qual grupos étnicos da Ásia Central que habitam Xinjiang devem ser submetidos a uma intensa assimilação da língua, cultura e história da China, e pressionados a adotar o que o PCC considera um estilo de vida moderno e civilizado..Em 2009, a capital do Xinjiang, Urumqi, foi palco dos mais violentos conflitos étnicos registados nas últimas décadas na China, entre os uigures e a maioria han, predominante em cargos de poder político e empresarial regional..Zakir afirmou que os "formandos" participam em atividades culturais e desportivas e que a formação coloca-os no caminho de uma "vida moderna" e torna-os "confiantes no futuro"..Na semana passada, a China criou uma nova lei que permite o uso de centros para "educar e transformar pessoas influenciadas pelo extremismo" religioso..Os esforços de Pequim para legitimar as medidas no Xinjiang surgem numa altura de crescente pressão internacional. .No mês passado, a Alta-Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, afirmou que a região devia permitir a entrada de observadores internacionais.