Bispos lusófonos querem português como língua oficial do Sínodo

Os bispos lusófonos querem o português como língua oficial nas assembleias gerais do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, e a simplificação de vistos em todo o espaço da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
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As propostas constam do documento final do 13.º Encontro de Bispos dos Países Lusófonos que, entre 27 e 30 de abril, juntou na capital cabo-verdiana 12 bispos da Igreja Católica, incluindo três cardeais, dos países de língua oficial portuguesa.

"Propomos unanimemente que a língua portuguesa, a quinta língua do mundo, falada por 260 milhões de pessoas, seja utilizada como língua oficial nas assembleias gerais do Sínodo dos Bispos", adianta o documento.

O próximo sínodo [reunião] dos bispos está agendado para outubro, no Vaticano, com a abordagem centrada na juventude, que foi também o tema central do encontro de bispos lusófonos na cidade da Praia.

Os líderes das igrejas católicas lusófonas elogiaram "a simplificação da concessão de vistos em alguns países", considerando que facilita a livre circulação de pessoas e bens, e manifestaram a expectativa de que esse "processo se possa estender a todos os países lusófonos, promovendo assim uma verdadeira comunidade de pessoas".

O encontro de bispos antecede a cimeira da CPLP, agendada para julho, na ilha cabo-verdiana do Sal, e que terá como um dos principais assuntos na agenda a facilitação da mobilidade dentro do bloco lusófono.

O encontro dos bispos refletiu sobre a "presença efetiva e transformadora" dos jovens na igreja, com uma abordagem sobre a realidade dos jovens nos diferentes países, bem como das "boas práticas pastorais" da juventude.

O documento denuncia o que considera "a mentalidade individualista e consumista que contraria perspetivas de futuro para os jovens como a falta de emprego" e incentiva "projetos que apoiem de modo criativo a sua integração no mundo empresarial e laboral".

"Verificamos que nos nossos países a Igreja se manteve fiel à sua missão profética de procura de caminhos comuns através do diálogo e da afirmação pública das suas convicções, contribuindo para uma sociedade democrática que defenda a dignidade humana, a paz e o bem comum", refere também o texto.

Os bispos assinalam "a dificuldade de as famílias viverem a sua vocação cristã" e sublinham "a urgência" de as acompanhar "cada vez mais na sua realidade".

Saudaram o reinício da emissão nacional da Rádio Ecclesia em Angola, reforçando "a importância da liberdade de imprensa para a consolidação de uma sociedade plural e democrática".

O documento destaca ainda "significativos aumentos de vocações sacerdotais nas diferentes igrejas lusófonas".

No âmbito do encontro, os bispos foram recebidos em audiência pelo Presidente da Assembleia Nacional de Cabo Verde e Presidente da República em exercício, Jorge Santos, visitaram o Instituto Internacional da Língua Portuguesa e a Cidade Velha, Património Mundial da Humanidade.

No encontro, que se realiza de dois em dois anos e aconteceu pela última vez no Brasil, participaram o cardeal e bispo de Santiago, Arlindo Furtado; o cardeal e arcebispo de Brasília, Sérgio Rocha, e o cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente.

Marcaram igualmente presença os arcebispos de São Salvador da Baia, Luanda e Maputo e os bispos de Mindelo, Benguela, Bafatá, São Tomé e Príncipe e Bissau.

O próximo encontro de bispos dos países lusófonos vai decorrer na Guiné-Bissau, em janeiro de 2020.

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